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Comissão da CNBB completa dez anos contra o tráfico de pessoas

Em encontro virtual, a Comissão Especial da CNBB marcou dez anos contra o tráfico de pessoas; veja onde denunciar casos no país.

Fachada noturna do Palácio do Buriti, em Brasília, com luz azul, na campanha contra o tráfico de pessoas
Palácio do Buriti, em Brasília, iluminado de azul na campanha Coração Azul contra o tráfico de pessoas, em julho de 2017.Foto: Agência Brasília / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Comissão Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), completou dez anos de trabalho. A marca foi celebrada em um encontro virtual na noite de 15 de outubro. O registro foi publicado no site da CNBB em 23 de outubro de 2026.

O lema do encontro resume a proposta: “10 anos rompendo o silêncio: Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão”. A ideia é tirar o tema da invisibilidade e colocá-lo no debate público.

Segundo a Agência Gov, o tráfico de pessoas consiste em recrutar, transportar, comprar ou abrigar alguém, por meio de ameaça, violência, fraude ou abuso, para exploração. A publicação reproduz informação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). As finalidades incluem exploração sexual, trabalho análogo à escravidão, servidão, adoção ilegal e retirada de órgãos. O crime pode ocorrer dentro do país ou entre países.

A Lei 13.344, de 2016, trata da prevenção e da repressão ao crime e do atendimento às vítimas. Ela também prevê o Dia Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em 30 de julho. No governo federal, o tema fica com a Coordenação-Geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes. Ela funciona na Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Dez anos de trabalho e o que vem pela frente

A Irmã Rose Bertoldo, integrante da comissão, disse no encontro: “São dez anos de uma caminhada feita por muitas mãos, muitos rostos, muitas organizações”. A secretária executiva Alessandra Miranda afirmou: “São dez anos de atuação em defesa da vida, sobretudo das pessoas mais vulneráveis”.

Segundo o texto da CNBB, a agenda de celebrações e formação se estende até o primeiro semestre de 2027. Entre os desafios atuais, a comissão cita o aliciamento no meio digital, ou seja, a atração de vítimas pela internet.

O que diz a CNBB: Segundo o site da entidade, a comissão afirma que “Tráfico de pessoas existe e enfrentá-lo é a nossa missão”, lema do encontro. A publicação é de 23 de outubro de 2026.

Os números do relatório de 2025

O governo também divulgou dados recentes. Segundo reportagem do Correio da Manhã, o Relatório Nacional sobre o Tráfico de Pessoas de 2025, elaborado pelo Ministério da Justiça com apoio do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime), registrou alta de 33% no número de vítimas no Brasil entre 2024 e 2025. Os dados foram divulgados no início de julho, segundo a mesma reportagem.

Como denunciar

Um dos canais é o Disque 100, do MDHC. A ligação é gratuita, feita de qualquer telefone fixo ou celular, e o serviço funciona 24 horas, inclusive em fins de semana e feriados.

A denúncia pode ser identificada ou anônima. Quem denuncia recebe um número de protocolo para acompanhar o caso. Há também WhatsApp, no número (61) 99611-0100, e chamada de vídeo em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Pelo MPF, também são canais de denúncia o Disque 180, da Central de Atendimento à Mulher, e o MPF Serviços. Dependendo do caso, a denúncia pode ir à Polícia Federal ou à Polícia Civil.

Entre os sinais de alerta estão a retenção de documentos de identidade, a restrição de movimento, o isolamento da família e as ameaças. Propostas de salário acima do normal e pedidos de documentos originais ou de pagamento antecipado também pedem cautela. Ao denunciar, informe o local, a data e a descrição das pessoas envolvidas.

O que isso significa

O encontro marca uma década de trabalho e abre uma agenda até o primeiro semestre de 2027. A alta de 33% nas vítimas, segundo o relatório citado, mostra que o tema segue exigindo atenção. A própria comissão aponta o meio digital como desafio. Reconhecer os sinais e saber onde denunciar é, portanto, parte do enfrentamento.

Como fizemos: Usamos o comunicado da CNBB de 23/10/2026, a reportagem da Agência Gov de 30/07/2026, as páginas oficiais do Disque 100 (MDHC) e da Coordenação-Geral no site do Ministério da Justiça, o alerta do MPF de 11/07/2025 e a reportagem do Correio da Manhã sobre o Relatório Nacional de 2025. Os dados foram acessados em 24/10/2026. O percentual de 33% vem da reportagem, porque o texto oficial do relatório não pôde ser conferido nesta apuração. Não fizemos cálculo próprio.

Fontes