Comportamento

Lula pede ao TSE abertura de seus sigilos, condicionada a Flávio

Lula pediu ao TSE a quebra dos próprios sigilos, mas só se Flávio abrir os dele. Flávio foi denunciado no caso Queiroz e nunca julgado.

Fachada espelhada do edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, com as cúpulas brancas em primeiro plano
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, que recebeu o pedido da campanha de Lula.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na terça-feira (20), a campanha de Lula enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A abertura só valeria se Flávio Bolsonaro, candidato do PL, fizesse o mesmo com os dele. O pedido cobre os últimos oito anos.

O pedido inclui Lula, a primeira-dama Janja e os cinco filhos do presidente. Segundo a Agência Brasil, também cita a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. Do lado de Flávio, a lista traz o pai, Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria, a esposa, Fernanda, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, além de cinco empresas ligadas a ele, uma delas offshore.

A petição pede a divulgação dos dados antes de quarta-feira (21). O segundo turno é no domingo (25). A Agência Brasil e o ConJur dizem que o pedido foi dirigido ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.

O desafio veio no debate da TV Band, em 18 de outubro. Flávio não aceitou abrir os próprios sigilos e respondeu com acusações contra a família de Lula, segundo o ND+.

O histórico que pesa na cobrança

A rachadinha é a suspeita de que assessores devolviam parte dos salários a quem os nomeou. Flávio foi denunciado em 2020, junto com outras 16 pessoas, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ). Ele nunca foi julgado. Denunciado não é condenado.

Tribunais anularam provas-chave do caso, por motivo de procedimento, e não por mérito. Anulação não é inocentação. Flávio diz que não houve esquema e que as provas são ilegais.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou R$ 1,2 milhão em movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor, entre 2016 e 2017. Em dezembro de 2019, o MP-RJ afirmou que Queiroz recebeu 483 depósitos de 13 assessores, somando R$ 2,06 milhões.

Coaf e MP-RJ apontaram milhões em movimentações no caso Queiroz Valores em reais, conforme citados nas reportagens e na denúncia

Movimentação Valor Período
Coaf: atípicas na conta de Queiroz R$ 1,2 milhão 2016 e 2017
MP-RJ: depósitos de 13 assessores R$ 2,06 milhões Dez. 2019
Plano de saúde da família pago por Queiroz cerca de R$ 100 mil Admitido em 2020

Fontes: Metrópoles (Coaf); Agência Brasil e Congresso em Foco (MP-RJ e admissão de Flávio). Elaboração: redação.

Em agosto de 2020, Flávio admitiu que Queiroz pagava contas dele, entre elas cerca de R$ 100 mil do plano de saúde da família. Ele afirmou que era dinheiro dele. Em abril de 2026, culpou Queiroz, disse que mais de 30 assessores tiveram registros abertos sem transferências para ele e chamou o caso de político.

A proposta de Lula também tem condição

A oferta de Lula é condicional, e isso precisa ser dito. Ele só libera os próprios dados se Flávio liberar os dele. Nenhum dos dois abriu os sigilos até agora.

A reciprocidade cria um impasse: quem cobra a abertura alheia também precisa aceitar a própria. O pedido de Lula não muda o histórico de Flávio, mas põe a transparência no centro da reta final.

O que diz Flávio Bolsonaro: No debate da Band, em 18 de outubro, ele não aceitou abrir os próprios sigilos e respondeu com acusações sobre a família de Lula, segundo o ND+. Em abril, disse que o caso Queiroz é político e que os registros de 30 assessores não mostram transferências para ele.

O que isso significa

O pedido depende da resposta de Flávio. Até a publicação deste texto, o TSE não havia divulgado decisão sobre ele.

O ponto que o eleitor pode checar é simples. Flávio foi denunciado no caso Queiroz, nunca foi julgado e recusou no debate abrir o próprio sigilo bancário. A cobrança de transparência vale para os dois lados.

Como fizemos: Usamos as reportagens da Agência Brasil, do Poder360 e do ConJur sobre o pedido de 20 de outubro de 2026, acessadas em 21 de outubro de 2026, além das fontes citadas sobre o caso Queiroz. Os valores são os informados por cada fonte, sem correção pela inflação, porque não comparamos anos. Não fizemos cálculo próprio. Quando as reportagens divergem sobre um dado, citamos só a fonte que o traz.

Fontes