Comportamento

O apoio evangélico a Flávio caiu de 61% para 52%

Pesquisa Quaest mostrou queda de nove pontos entre maio e junho, no mesmo período do áudio com Vorcaro e do afastamento do pastor Silas Malafaia.

Jovens de camiseta branca cantam e levantam as mãos durante a Marcha para Jesus, em uma rua arborizada de São Paulo
Fiéis participam da Marcha para Jesus em São Paulo, em 20 de junho de 2019 (foto de arquivo).Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Entre maio e junho de 2026, o apoio a Flávio Bolsonaro entre os evangélicos caiu de 61% para 52%. O dado é de pesquisa Quaest, relatada pela Agência Pública. Foram nove pontos a menos em cerca de um mês, no eleitorado que a campanha trata como base.

O candidato do Partido Liberal (PL) segue com a maioria desse público. Mas a queda mostra que o voto evangélico não veio de herança. Ele precisa ser conquistado, e parte dele escapou justamente quando o nome de Flávio entrou no noticiário policial.

A Quaest é um instituto de pesquisa de opinião. O índice em questão mede a preferência dentro de um grupo, e não no eleitorado inteiro. Por isso, a queda não indica, sozinha, quem lidera a disputa nacional. Indica que, entre os fiéis evangélicos, a vantagem de Flávio ficou menor do que era em maio.

O que aconteceu entre maio e junho

A pesquisa não diz por que o apoio caiu. O calendário, porém, mostra o que os fiéis viram nesse intervalo. No começo de maio, entre os dias 3 e 5, o pastor Silas Malafaia declarou apoio a Flávio durante um culto na sua igreja, no Rio. O fato foi relatado pelo Estado de Minas.

Dias depois, em 13 de maio, o The Intercept Brasil publicou o áudio do caso Dark Horse. Segundo o site, Flávio negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, uma promessa de US$ 24 milhões. O dinheiro seria para um filme sobre Jair Bolsonaro. A promessa equivalia a cerca de R$ 134 milhões.

Na manhã do mesmo dia, Flávio chamou a reportagem de mentira. À noite, confirmou que buscou “patrocínio privado” para um filme privado, segundo o Poder360. Negou ter oferecido qualquer contrapartida ou usado dinheiro público.

Em junho, Malafaia se afastou do candidato após a divulgação dos áudios. Só voltou a apoiá-lo em agosto, e com uma condição: apoia, mas não organizará atos de campanha, conforme o Poder360. Outro líder, o bispo Rodovalho, disse depois do áudio que os evangélicos davam a Flávio “o benefício da dúvida”, segundo o SBT News.

As dúvidas dentro das igrejas

Benefício da dúvida não é entusiasmo. E a dúvida aparece também no discurso de pastores. Alguns deles disseram à Agência Pública que Flávio “não parece evangélico”. Citaram festas de carnaval, o uso de cigarro eletrônico e a linguagem do candidato.

A mesma reportagem lembra que Flávio se diz evangélico desde a juventude. Foi criado na fé pela mãe e estudou em escola batista. Já foi batizado quatro vezes, a última no rio Jordão, no início de 2026. Para alguns pastores, os batismos têm também um lado político.

Há ainda os evangélicos que fizeram o caminho oposto. A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio ao presidente Lula, em agosto. O grupo ligou Flávio ao autoritarismo, segundo o Diario de Pernambuco. O gesto mostra que o bloco evangélico não é monolítico.

Nada disso apaga o apoio de peso que Flávio mantém. O bispo Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, comandou no sábado (10) o grito “irmão vota em irmão” no Maracanãzinho, no Rio. Segundo o Jornal de Brasília, a plateia repetiu a frase 14 vezes.

O retrato, então, é de um candidato que ainda lidera entre os evangélicos, mas com menos folga. Os 52% de junho são maioria. Só que nove pontos, num eleitorado desse tamanho, representam muitos votos na reta final.

O que diz Flávio Bolsonaro: sobre o caso Vorcaro, o candidato confirmou ter buscado “patrocínio privado” para um filme privado e negou contrapartida ou uso de dinheiro público, segundo o Poder360. Ele se apresenta como evangélico desde a juventude, conforme a Agência Pública.

O segundo turno é no dia 25 de outubro. A campanha aposta nos púlpitos para recuperar o terreno perdido, como mostrou o culto do Maracanãzinho. O fiel, porém, não vota por ordem do pastor. A queda de maio para junho sugere que parte dos evangélicos olhou para o caso Vorcaro e pesou o que viu.

Fontes