ComportamentoRevista Terra de Santa Cruz

CNC: endividamento cai a 81,7% em setembro, mas segue acima de 2025

Pesquisa da CNC mostra 81,7% das famílias com dívidas em setembro de 2026 e 29,6% com contas em atraso. Em setembro de 2025, eram 79,2% e 30,5%.

Ilustração abstrata provisória em faixas verdes, douradas e claras, sem pessoas nem lugares reais
Imagem provisória: ilustração abstrata, sem relação com pessoas ou locais da reportagem.Ilustração: Imagem provisória

Em setembro de 2026, 81,7% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgada em 8 de outubro. O índice recuou em relação ao levantamento anterior, que registrava 82%, segundo a imprensa que reproduziu a pesquisa.

O nível, porém, segue acima de um ano antes. Em setembro de 2025, 79,2% das famílias estavam endividadas. O alívio aparece no atraso: a parcela com contas vencidas recuou para 29,6%, o menor patamar desde março.

Dívidas sobem na comparação anual

Dois conceitos ajudam a ler a pesquisa. Endividamento mede quem tem alguma dívida, mesmo que pague em dia. Inadimplência mede quem está com alguma conta vencida e sem pagamento.

A Peic ouve famílias de todo o país. Na edição de julho, foram 18 mil famílias, segundo a reportagem do Mercado&Consumo sobre aquele levantamento.

Na comparação com setembro de 2025, o endividamento subiu 2,5 pontos percentuais. A inadimplência caiu 0,9 ponto percentual. Pontos percentuais são a diferença entre duas porcentagens, e não a variação relativa.

Dívidas sobem na comparação anual, e atrasos caem Percentual de famílias, setembro de 2025, agosto e setembro de 2026

Indicador Set. 2025 Levant. anterior Set. 2026
Famílias com dívidas 79,2% 82,0% 81,7%
Famílias com contas em atraso 30,5% 29,9% 29,6%
Famílias sem condições de pagar 13,0% 12,5% 12,5%

Fontes: CNC (Peic), por Mercado&Consumo, bpmoney, Fenacon e Folha de Pernambuco. Elaboração: redação. Ver o box “Como fizemos”.

Menos famílias estão atrasadas, mas mais famílias carregam alguma dívida. Para o orçamento, isso quer dizer que parte da renda segue presa a pagamentos.

Renda e renegociação

A queda geral veio das famílias de menor renda. Entre as que ganham até três salários mínimos, os endividados passaram de 85,1% para 84,6%. Na faixa de cinco a dez salários mínimos, a parcela subiu de 77,2% para 77,9%. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, a inadimplência foi de 14,9% para 15%.

O Jornal do Comércio registrou que o comprometimento da renda com dívidas aumentou em setembro, sem informar o percentual. Em julho, a média era de 29,5% do orçamento familiar comprometido com dívidas. Isso pode significar menos dinheiro sobrando no mês, mesmo com menos atrasos.

O cartão de crédito é a dívida mais citada. Em julho, aparecia em 85,3% dos casos entre as famílias endividadas, segundo a CNC. Carnês (16,1%) e crédito pessoal (13%) vêm depois. Uma família pode ter mais de um tipo de dívida, por isso a soma passa de 100%.

O Novo Desenrola Brasil, programa para renegociar dívidas com bancos, teve prazo final em 31 de agosto. Segundo a Agência Brasil, “Não há previsão de uma nova extensão”. Não localizamos anúncio de prorrogação depois dessa data.

A próxima edição da Peic mostrará se a queda do atraso se mantém. Até lá, o quadro é de alívio parcial. A dívida segue alta, e a renda comprometida ainda pesa no mês.

O que diz a CNC: Segundo o Diário do Turismo, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que o resultado representa um “respiro” no orçamento doméstico. Não enviamos perguntas à CNC para esta reportagem; a posição vem da imprensa.

Como fizemos: Usamos a Peic de setembro de 2026, divulgada pela CNC em 8/10/2026, segundo a Fenacon, o Jornal do Comércio e a Folha de Pernambuco. A comparação com setembro de 2025 vem do Mercado&Consumo, e os dados de julho e agosto de 2026 vêm de Mercado&Consumo, O Povo e bpmoney. Acessamos as fontes em 26/10/2026. Cálculos próprios: 81,7% menos 79,2% dá 2,5 pontos percentuais; 29,6% menos 30,5% dá −0,9 ponto percentual. Não localizamos a amostra nem a margem de erro da edição de setembro, e o site da CNC não abriu na checagem. A reportagem de 2025 fala em famílias sem condições de pagar as dívidas, e a de 2026 usa outra base, por isso a comparação de 13% com 12,5% é aproximada.

Fontes