Liberdade religiosaRevista Terra de Santa Cruz

Iphan destina R$ 2,3 milhões ao restauro de seis terreiros

Projetos na Bahia e em Pernambuco recebem recursos do Iphan para proteger espaços de culto, memória negra e liberdade religiosa.

Ilustração abstrata com um terreiro, folhas e formas geométricas em vermelho, azul e dourado
Imagem provisória: ilustração abstrata sobre a proteção de terreiros de matriz africana.Ilustração: Imagem provisória

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou um investimento superior a R$ 2,3 milhões em dois anos. O dinheiro foi destinado a projetos de restauro de seis terreiros de matriz africana na Bahia e em Pernambuco.

O recurso inclui elaboração de projetos e obras já contratadas. Essa diferença é importante: antes de recuperar telhado, fachada ou espaço de culto, o patrimônio precisa de diagnóstico, projeto executivo e autorização técnica. O anúncio mede o esforço de preservação, mas ainda não informa o custo final de cada obra.

Patrimônio também é direito de culto

Terreiros são locais de prática religiosa, transmissão de saberes e organização comunitária. Quando um prédio se deteriora, a perda não é apenas arquitetônica. A comunidade pode perder um espaço de memória, de acolhimento e de educação sobre tradições africanas e afro-brasileiras.

O reconhecimento pelo Iphan não transforma o terreiro em peça de museu. A proteção deve respeitar o uso religioso e a autonomia da comunidade. Obras de restauro precisam combinar segurança estrutural, conservação de materiais e continuidade dos ritos.

O que o anúncio informa O que ainda precisa ser acompanhado
Mais de R$ 2,3 milhões em dois anos Valor final de cada intervenção
Seis terreiros Cronograma e entrega de cada obra
Bahia e Pernambuco Participação das comunidades na fiscalização
Projetos previstos e já contratados Resultado físico após a conclusão

A escolha de investir em terreiros enfrenta uma desigualdade histórica. Igrejas, capelas e centros urbanos receberam políticas de preservação por décadas. Espaços de matriz africana, embora fundamentais para a cultura brasileira, enfrentaram abandono, racismo e ataques.

O recurso público precisa chegar à comunidade

O Iphan é uma autarquia federal responsável por proteger bens culturais. Em projetos de restauro, o dinheiro público deve seguir regras de contratação, prestação de contas e fiscalização. A comunidade pode pedir informações ao instituto e acompanhar licenças, etapas e alterações de projeto.

O valor de R$ 2,3 milhões não permite calcular um preço médio seguro. Os seis terreiros podem ter tamanhos, materiais e graus de urgência diferentes. Dividir o total por seis produziria uma média sem utilidade para medir cada intervenção.

A proteção do prédio também não resolve sozinha a intolerância religiosa. A liberdade de culto depende da Constituição, de segurança pública e de políticas que reconheçam as religiões de matriz africana como parte da vida nacional. O restauro é uma camada concreta dessa proteção.

O que diz o Iphan: O instituto afirma que as iniciativas valorizam a herança africana e protegem locais que são símbolos vivos de diversidade e resistência cultural. A posição está na notícia oficial sobre os seis terreiros.

O próximo passo é publicar os projetos, os contratos e os resultados físicos. Assim, o patrimônio deixa de ser promessa e pode ser conferido por quem mantém os terreiros vivos.

Como fizemos: Consultamos a notícia oficial do Iphan sobre seis terreiros na Bahia e em Pernambuco, publicada e atualizada em 2026. A tabela separa dados confirmados e informações ainda não divulgadas. Não estimamos custo por terreiro nem presumimos quais obras já terminaram.

Fontes