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Quatro resultados contestados: como 1930, 1955, 2014 e 2022 acabaram

Em 1930, 1955, 2014 e 2022, a derrota foi contestada. Os quatro casos terminaram de formas diferentes, e as fontes oficiais permitem comparar cada desfecho.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília, com a palavra TSE no alto do prédio e as cúpulas brancas na frente
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, no dia da votação das eleições municipais de 2020.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O resultado da eleição presidencial de 1º de março de 1930 foi divulgado em 20 de março. Júlio Prestes teve 1.091.709 votos, e Getúlio Vargas, da Aliança Liberal, teve 742.794. Sete meses depois, a disputa terminou numa revolta armada.

Quatro eleições presidenciais tiveram o resultado contestado pelo lado derrotado: 1930, 1955, 2014 e 2022. Os desfechos foram diferentes, como mostram os registros oficiais e históricos de cada caso.

1930 e 1955: a contestação foi para a força

Em 1930, a Aliança Liberal acusou a eleição de fraude. A Wikipédia em português registra que a oposição “acusou de fraudulento o pleito eleitoral” e que a fraude foi praticada por quase todos os partidos. Depois do assassinato de João Pessoa, candidato a vice, em julho, a saída revolucionária passou a ser articulada.

Os combates começaram em 3 de outubro, segundo a Wikipédia em inglês. Em 24 de outubro, Washington Luís foi deposto. Em 3 de novembro, Getúlio Vargas assumiu a chefia do Governo Provisório, e Júlio Prestes nunca tomou posse.

Em 1955, a eleição de 3 de outubro deu a vitória a Juscelino Kubitschek, do Partido Social Democrático (PSD), com 3.077.411 votos, ou 35,68%. Juarez Távora, da União Democrática Nacional (UDN), teve 2.610.462, ou 30,27%. Nenhum candidato chegou à maioria absoluta.

Na véspera da votação, a UDN apresentou uma emenda para levar a escolha ao Congresso sem maioria absoluta. A emenda não foi aprovada. Opositores também defenderam descontar os votos de comunistas dados a JK, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já tinha decidido que a maioria não era exigida.

Em 10 de novembro, o marechal Henrique Teixeira Lott deixou o Ministério da Guerra. No dia seguinte, com apoio de generais, afastou o presidente interino, Carlos Luz, visto como contrário à posse de JK. Lott disse agir para garantir a posse de Juscelino, segundo o História do Mundo.

O Congresso deu a Presidência a Nereu Ramos. Em 7 de janeiro de 1956, o TSE reconheceu a vitória de JK, e a posse foi em 31 de janeiro.

2014 e 2022: a contestação foi ao TSE

Em 26 de outubro de 2014, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita com 51,64% dos votos. Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), reconheceu a derrota na mesma noite, em Belo Horizonte. Ele disse: “Considero a maior de todas as prioridades unir todo o Brasil em torno de um projeto honrado”.

Quatro dias depois, em 30 de outubro, o PSDB pediu ao TSE uma auditoria no sistema de apuração. O pedido foi assinado por Carlos Sampaio, coordenador jurídico do partido. Segundo a reportagem, Sampaio disse que a iniciativa não era um pedido de recontagem nem um questionamento do resultado.

Em 4 de novembro, o TSE negou a criação de uma comissão de partidos para auditar as urnas e não fez auditoria própria. Liberou, porém, os documentos pedidos pelo PSDB. O relator, ministro Dias Toffoli, disse que o partido “não pode requerer em nome de outros partidos”. A decisão foi unânime, segundo o Estado de Minas.

A disputa seguiu na Justiça. O PSDB levou ao TSE uma ação por abuso de poder contra a chapa Dilma-Temer. Em 9 de junho de 2017, o tribunal absolveu a chapa por 4 votos a 3, segundo o Jornal do Brasil (JB).

Em 2022, Lula venceu o segundo turno de 30 de outubro com 60.345.999 votos, ou 50,9% dos válidos. Jair Bolsonaro, do PL, teve 58.206.354, ou 49,1%, segundo o TSE. Em 22 de novembro, o PL acionou o tribunal para pedir a anulação de votos em 279 mil das 472 mil urnas do segundo turno, segundo o Poder360.

No dia seguinte, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido. Ele chamou a ação de “esdrúxulo” e “ilícito” e aplicou multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé. Depois, o plenário do TSE manteve a multa, segundo a Jovem Pan.

Em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse de Lula, apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes do Congresso, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) já tinha apresentado denúncias contra mais de mil pessoas, segundo a Itatiaia. Um ano depois, a Justiça tinha condenado 30, segundo o Congresso em Foco.

O que diz Jair Bolsonaro: Em 1º de novembro de 2022, após mais de 44 horas de silêncio, ele falou por cerca de dois minutos no Palácio da Alvorada. Disse que cumpriria a Constituição, sem citar Lula nem reconhecer a derrota de forma explícita, segundo O Povo (AFP) e o Poder360.

Os quatro casos não terminaram do mesmo jeito. Em 1930 e em 1955, a disputa foi decidida fora das urnas, com revolta armada ou ação de militares, e presidentes deixaram o cargo. Em 2014 e em 2022, a contestação foi ao TSE, e nenhum resultado foi anulado.

A diferença mais clara está no começo. Em 2014, o derrotado reconheceu o resultado na mesma noite, e a contestação ficou no tribunal. Em 2022, o pedido ao TSE foi seguido, em janeiro, pela invasão dos prédios dos três Poderes. As datas mostram a sequência, mas não provam que uma coisa causou a outra.

Em 25 de outubro de 2026, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, segundo o InfoMoney. Este texto não prevê o que vai acontecer na disputa deste ano. Os registros mostram que cada desfecho dependeu do que os atores fizeram depois da votação.

Como fizemos: Usamos as fontes listadas abaixo, consultadas em 26/10/2026. Os votos de 1930 e os dados de 1955 vêm da Wikipédia em português, que registra números diferentes em outras fontes; não conseguimos abrir as páginas do CPDOC/FGV. Os percentuais de 2014 vêm da Rádio Senado, e os totais de 2022, do TSE. Cálculo próprio: os sete meses entre março e outubro de 1930; nenhum número foi estimado.

Fontes