Iphan registra Cortejo da Cavalaria de Guaratinguetá como patrimônio
Em 22 de setembro, o Iphan aprovou o registro da cavalaria que reúne cerca de 2 mil cavaleiros no Domingo de Páscoa. Entenda o que o título traz.

Em 22 de setembro de 2026, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá (SP). A decisão foi tomada na 114ª reunião do conselho, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília. A Agência Brasil publicou a notícia no dia 23.
O ABC do ABC relata que a aprovação foi unânime. A Agência Brasil confirma o registro, mas não informa a votação. O que muda para a cidade depende menos do título e mais do que vem depois.
O que é o cortejo
Todo Domingo de Páscoa, cerca de 2 mil cavaleiros e cavaleiras percorrem as ruas de Guaratinguetá, segundo a Agência Brasil. Eles vestem roupa branca e seguem em duas fileiras paralelas por cerca de 20 quilômetros, de acordo com o ABC do ABC.
O trajeto passa por cemitérios da cidade, onde os cavaleiros param para homenagear os mortos. Os rostos dos falecidos aparecem em estandartes que os cavaleiros carregam.
Segundo o Iphan, a manifestação junta duas tradições da região: o tropeirismo, ligado ao transporte de mercadorias em tropas, e a devoção afro-católica. A origem é antiga. Um projeto de lei paulista de 2003 afirma que a Irmandade de São Benedito surgiu junto à Capela de São Gonçalo no século XVIII. Segundo o texto, a festa em louvor ao santo provavelmente começou a partir daí.
O que o registro significa na prática
O registro foi criado pelo Decreto 3.551, de 2000, para bens culturais imateriais. São festas, saberes e práticas sem forma física. O decreto prevê quatro livros, e o cortejo será inscrito no Livro de Registro das Celebrações, que reúne rituais e festas coletivas.
Pelo decreto, o bem registrado recebe o título de “Patrimônio Cultural do Brasil”. O título reconhece a importância da tradição. Nos artigos que consultamos, o decreto trata do título e da revisão, e não prevê repasse de dinheiro.
O Iphan deve reavaliar os bens registrados “pelo menos a cada dez anos”, segundo o mesmo decreto. Depois dessa revisão, o Conselho Consultivo decide se o título é renovado. Já o plano de salvaguarda, segundo o ABC do ABC, teria recursos, apoio técnico e ações de preservação. A Agência Brasil não menciona esse plano.
O que vem a seguir
Ficam em aberto três pontos. O primeiro é o plano de salvaguarda, sem prazo publicado nas reportagens consultadas. O segundo é a inscrição no livro, que a Agência Brasil descreve no futuro. O terceiro é o financiamento, que nenhuma fonte detalha.
Quem coordena o cortejo hoje é a Associação Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito de Guaratinguetá, fundada em 1992, segundo o ABC do ABC. Na mesma reunião, o conselho aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, em São Paulo, e do Quilombo Ferreira Diniz, no Rio de Janeiro. Tombamento é a proteção legal de um bem material. O conselho também revalidou o Fandango Caiçara e a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha (CE).
O registro dá ao cortejo um reconhecimento nacional e um compromisso de acompanhamento. Ele não garante dinheiro por si. O que muda para a tradição depende do plano de salvaguarda.
O que diz o Iphan: Segundo a Agência Brasil, o instituto afirma que a manifestação combina duas tradições da região, o tropeirismo e a devoção afro-católica. Esta reportagem não ouviu o Iphan diretamente, e não localizamos nota do órgão sobre o cortejo no portal gov.br.
Como fizemos: Usamos a reportagem da Agência Brasil publicada em 23/09/2026, sua republicação pelo Acessa.com, o texto do ABC do ABC de 22/09/2026, o Decreto 3.551/2000 e a página do Iphan sobre patrimônio imaterial, acessados em 23/10/2026. Não fizemos cálculo próprio. Não localizamos a ata da reunião. O plano de salvaguarda e a distância de 20 quilômetros vêm de reportagem regional, não de fonte oficial. A origem no século XVIII vem de justificativa de projeto de lei de 2003, não de estudo histórico.
Fontes
- Iphan tomba primeiro quilombo do RJ e revalida registros de patrimônio — Agência Brasil (23/09/2026)
- Iphan tomba primeiro quilombo do RJ e revalida registros de patrimônio — Acessa.com, com texto da Agência Brasil (23/09/2026)
- Cavalaria de Guaratinguetá é reconhecida como patrimônio — ABC do ABC (22/09/2026)
- Decreto nº 3.551, de 4 de agosto de 2000 — Câmara dos Deputados (acesso em 23/10/2026)
- Patrimônio Imaterial — Iphan (acesso em 23/10/2026)
- Projeto de Lei nº 743, de 2003 — Assembleia Legislativa de São Paulo (justificativa, acesso em 23/10/2026)



