ComportamentoRevista Terra de Santa Cruz

Mutirão planta 50 mudas e pressiona por praça em São Carlos

Voluntários recuperam área sob pontilhão com recursos próprios; prefeitura diz que intervenção em espaço público exige autorização expressa.

Mudas de espécies nativas plantadas em linhas em uma área aberta
Mudas de espécies nativas em área de plantio, em registro de novembro de 2005.Foto: James Martins / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Voluntários do movimento Ocupracinha já plantaram 50 mudas de árvores frutíferas sob um pontilhão no centro de São Carlos. O grupo quer transformar a área antes degradada em praça de descanso, lazer e atividades culturais para trabalhadores e moradores.

A mobilização reuniu dois grandes mutirões e um menor, todos com recursos próprios. Os encontros acontecem mensalmente e são abertos à participação. Na terça-feira (27), a reportagem do g1 mostrou limpeza, plantio e pinturas no local.

A iniciativa ainda negocia sua regularização com o poder público. A Prefeitura de São Carlos informou que não recebeu projeto para o espaço e que intervenções exigem autorização expressa do município.

Cuidado coletivo ocupa uma área degradada

O local tinha mato alto, lixo e pouca iluminação. O organizador Raul Polline Nunes, conhecido como Zito, afirma que trabalhadores da região disputavam sombra durante os intervalos. A proposta é oferecer bancos, arborização, oficinas e atividades artísticas.

A ação combina plantios, arte e reivindicações Atividades realizadas e próximos passos descritos pelos participantes

Frente Situação informada
Arborização 50 mudas frutíferas plantadas
Formação Oficina de pintura com tintas de terra pelo Senac
Convivência Encontros mensais abertos a novos participantes
Infraestrutura Pedido de banheiro público, sem cronograma

Fonte: g1. A oficina citada ocorreu em 26 de outubro de 2026.

A tatuadora Ivy Zuanon e a amiga Stela Fernandes plantaram nove árvores em um dos encontros. O total corresponde a 18% das 50 mudas contabilizadas pelo movimento. O cálculo mostra como pequenos grupos contribuem para a transformação acumulada.

Inclusão de quem já usa o espaço

Zito afirma que a revitalização deve acolher as pessoas em situação de rua que já frequentam o local. Voluntários conversaram com elas durante os mutirões. O grupo declara que não pretende expulsá-las com a renovação da área.

O projeto também prevê atividades de circo, escalada, serigrafia, xilogravura e grafite. Ainda não há cronograma para todas essas ações. A intenção é criar um ponto de encontro e reaproximar vizinhos, não apenas melhorar a aparência do espaço.

Na terça (26), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) realizou uma oficina de pintura de mural com tintas de terra. A atividade acrescentou formação artística ao trabalho de limpeza e plantio.

O que diz a Prefeitura de São Carlos: A Secretaria de Gestão da Cidade e Infraestrutura informou que não recebeu projeto referente ao local. Em nota ao g1, afirmou que “intervenções em espaços públicos precisam de autorização expressa do município”.

Autonomia encontra limites administrativos

O organizador diz ter obtido autorização informal em conversa com representantes municipais. A resposta oficial, porém, exige autorização expressa e registra ausência de projeto. As duas posições precisam ser compreendidas sem presumir que a regularização esteja concluída.

O movimento pretende manter o diálogo, mas não quer interromper as ações enquanto espera os trâmites. Essa escolha evidencia a tensão entre iniciativa comunitária e regras de uso do espaço público. Não há informação sobre multa ou determinação de parada.

O próximo passo será saber se o grupo apresentará o projeto exigido e como a prefeitura avaliará a proposta. Também está aberto o pedido de banheiro público e outras melhorias de infraestrutura.

As 50 mudas já plantadas não garantem por si só a criação permanente da praça. A consolidação dependerá de manutenção, participação e entendimento institucional. O objetivo declarado é formar um bosque que ofereça sombra e frutas nos próximos anos.

Como fizemos: Consultamos a reportagem do g1 publicada em 28/10/2026, incluindo a resposta municipal. Dividimos as nove mudas plantadas por Ivy e Stela pelas 50 do total, obtendo 18%. Não verificamos documento de autorização nem presumimos conclusão da regularização.

Fontes