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Boletim de urna: qualquer um pode conferir o resultado de cada seção

Cada urna imprime o resultado da sua seção, e o TSE publica todos os boletins de urna; fiscais e eleitores podem comparar com a totalização.

Urna eletrônica brasileira modelo UE 2008 com a tela de inicialização acesa, o teclado numérico e a inscrição Justiça Eleitoral
Urna eletrônica brasileira sendo inicializada, em foto de 2018.Foto: Vinicius Depizzol / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A reeleição de Lula foi confirmada na noite de 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve 48,21%. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos, segundo a Vatican News, que cita o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Depois da votação, Flávio Bolsonaro afirmou que fiscais do Partido Liberal (PL) teriam sido retirados da sala-cofre do TSE. Este guia mostra o caminho do voto até o total nacional.

O que é o boletim de urna

O boletim de urna (BU) é o relatório que a urna eletrônica imprime ao fim da votação de cada seção. Ele traz os votos de cada candidato e partido, os votos brancos e nulos, e o número de eleitores que compareceram.

A apuração acontece na própria seção, logo após o fim da votação. A urna não tem conexão com a internet, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Do voto ao total nacional Etapas do processo, segundo o MPF

Etapa O que acontece
Apuração A urna conta os votos da seção e imprime o BU.
Afixação e envio São impressas cinco vias. Uma fica na entrada da seção e três vão ao cartório eleitoral.
Publicação O TSE publica cada BU na internet, com QR Code.
Totalização O TSE soma os votos de todas as seções. Não é uma nova contagem.

Fonte: MPF, “Me explica”, 12/10/2026. Elaboração: redação.

Como conferir a sua seção

Cada BU tem um QR Code, o quadrado de pontos que o celular lê. Pelos aplicativos Boletim na Mão ou e-Título, a pessoa lê o código e compara com o resultado publicado pelo TSE. O MPF diz que “qualquer pessoa ou entidade fiscalizadora” pode fazer essa comparação.

Antes da eleição, o TSE faz o teste de integridade. Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sorteiam urnas e simulam uma votação com cédulas de papel. Os votos digitados são comparados com as cédulas. Os votos da simulação não entram na apuração oficial, segundo a SBT News.

Antes de cada votação, a urna emite a zerésima, documento que mostra que nenhum voto está registrado. O TSE também confere os programas por resumos digitais, os hashes. Um hash muda se qualquer parte do arquivo for alterada, segundo Júlio Valente, do TSE.

O Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha esses testes, com e sem biometria. Ele deve enviar ao TSE um relatório em até 30 dias corridos após o segundo turno.

A sala-cofre

A sala-cofre é o ambiente de acesso restrito do TSE, em Brasília. Uma das duas salas guarda as matrizes dos programas das urnas, com assinaturas digitais do TSE, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dos partidos e da Procuradoria-Geral Eleitoral.

Segundo a CNN Brasil, em reportagem de 2022, só três servidores têm acesso. A quarta e a quinta de cinco portas codificadas só abrem com a presença de duas pessoas autorizadas.

Em nota divulgada na noite de 25 de outubro, o TSE afirmou que a sala-cofre “não é um espaço aberto à visitação”. Fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público podem acompanhar a Sala de Totalização.

O que diz o TSE: Em nota, o tribunal diz que há “registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização”. Segundo ele, isso comprova “o acesso livre dos fiscais às unidades do TSE”. A nota responde a declaração de Flávio Bolsonaro, segundo o Metrópoles.

Quem fiscaliza

O artigo 6º da Resolução 23.673/2021 do TSE lista as entidades fiscalizadoras. O Ministério Público está nessa lista, segundo o MPF. Reportagem da Agência Brasil, publicada pelo O Povo, cita também o Congresso Nacional, a Polícia Federal e partidos, entre outras.

As Forças Armadas deixaram essa lista em 26 de setembro de 2023, por decisão unânime do TSE. O presidente da corte, Alexandre de Moraes, disse que a participação delas não era “necessária, razoável e eficiente”, segundo o Poder360.

O código-fonte dos programas fica disponível às entidades habilitadas um ano antes da eleição. Fora dos anos eleitorais, o Teste Público de Segurança permite que qualquer brasileiro com mais de 18 anos proponha ataques aos sistemas para achar falhas.

O que isso significa

Cada boletim de urna é público. Qualquer pessoa pode comparar o BU impresso ou o QR Code com o resultado que o TSE publica, seção por seção. A totalização nacional é a soma desses boletins.

O próximo passo é o relatório do TCU sobre o teste do segundo turno, com prazo até 24 de novembro. Vale conferir esse documento quando for publicado.

Como fizemos: Usamos reportagens e páginas de órgãos listados em Fontes, acessadas em 26/10/2026. As páginas do TSE não abriram para a nossa consulta, por isso os dados da eleição vêm da Vatican News, que cita o tribunal. A diferença de cerca de 4,4 milhões de votos é a informada por essa reportagem; não recalculamos os votos brutos. O prazo de 30 dias corridos do TCU foi contado a partir de 25/10 e termina em 24/11. A descrição da sala-cofre vem de reportagem de 2022, e não verificamos mudanças no local.

Fontes