CulturaRevista Terra de Santa Cruz

Mural reúne seis artistas e 49 anos entre gerações em SP

Fábricas de Cultura apresentam obra coletiva no Memorial da América Latina, com grafite, pintura, colagem, têxtil e arte popular.

Detalhe da arquitetura de concreto da Biblioteca Latino-Americana Victor Civita
Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, no Memorial da América Latina, em São Paulo.Foto: Alvaro Menezes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Seis artistas das Fábricas de Cultura criaram um mural coletivo para a exposição de Día de Muertos no Memorial da América Latina, em São Paulo. A abertura oficial será nesta sexta-feira (30), e a visitação vai de 31 de outubro a 8 de novembro.

A obra combina grafite, pintura, colagem, arte têxtil, escultura e arte popular. Também reúne diferentes gerações. A grafiteira Ray Santos tem 18 anos, enquanto a pintora Sônia AP tem 67. A diferença de 49 anos faz parte do encontro proposto.

Día de Muertos é uma celebração mexicana dedicada à memória de pessoas mortas. No Memorial, a edição deste ano tem literatura como tema e presta homenagens ao mexicano Juan Rulfo e ao brasileiro Jorge Amado.

Seis linguagens formam uma obra coletiva

Os artistas pertencem ao Setor A das Fábricas de Cultura, programa estadual com unidades na zona leste paulista e em outras cidades. Cada participante leva ao mural sua técnica e suas referências culturais.

A composição reúne experiências distintas Artistas e linguagens informadas pela Secretaria da Cultura de São Paulo

Artista Linguagem ou trajetória
Agnes Foster Arte têxtil, papel machê e materiais reciclados
Hellen Marques Pintura, aquarela e ilustração digital
Júlia Vanucci Desenho, pintura e fotografia
Marcos Moluco Grafite, lettering e fotografia
Ray Santos Arte urbana, letras e personagens
Sônia AP Pintura acrílica e produção autodidata

Fonte: Agência SP. Lettering é a criação artística de letras; autodidata é quem aprende sem curso formal.

A mistura impede que o mural seja lido como trabalho de uma única escola estética. Há produção urbana, experimentação visual e reaproveitamento de materiais. As vivências da periferia também aparecem entre as referências anunciadas.

Literatura e mitologia orientam a exposição

O mural foi dividido em dois eixos. “Do Portal para o Campo Santo” aborda a mitologia asteca e concepções pré-hispânicas sobre vida e morte. “A história da Catrina” recupera a personagem criada pelo ilustrador José Guadalupe Posada em 1910.

Arcos de flores, caveiras e borboletas-monarca serão reinterpretados pelos artistas. A instalação ficará na Galeria Marta Traba. Altares e outras obras celebrarão tradições mexicanas e a memória de escritores dos dois países.

A exposição reúne secretarias municipais e estaduais de Cultura, Memorial e consulados do México e do Uruguai. As fundações Jorge Amado e Juan Rulfo também apoiam a realização. O festival acontece de 31 de outubro a 2 de novembro.

O que diz a Secretaria da Cultura: A pasta apresenta o projeto como encontro entre gerações e valorização da arte periférica. O programa Fábricas de Cultura oferece cursos, bibliotecas, estúdios e atividades artísticas gratuitas à população.

Equipamentos públicos sustentam a circulação

Criado em 2007, o programa tem 15 unidades em São Paulo. Sete são geridas pela Organização Social Catavento. Em 2025, essas unidades ofereceram cerca de 800 cursos e somaram mais de 24 mil matrículas, segundo o governo estadual.

Cada biblioteca das Fábricas possui aproximadamente 5 mil títulos. O acervo aproxima a exposição do trabalho cotidiano de formação cultural. O mural leva ao Memorial artistas formados nessa rede pública, em vez de depender apenas de nomes já consagrados.

A abertura começa dois dias após o anúncio desta quarta. Depois, o público poderá visitar a instalação por nove dias. O endereço é avenida Mário de Andrade, 664, portão 8, na Barra Funda.

Como fizemos: Consultamos a programação publicada pela Agência SP em 28/10/2026. Calculamos 67 menos 18 para obter a diferença de 49 anos entre as duas artistas citadas. Os números de cursos, matrículas e unidades são institucionais e não medem o público esperado para a exposição.

Fontes