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Flávio, Eduardo e Zema sustentam fraude sem provas após a derrota

Flávio, Eduardo Bolsonaro e Romeu Zema acusam fraude sem apresentar provas, e o TSE desmentiu uma fala de Flávio sobre a sala-cofre.

Cúpulas de concreto e a grande laje da sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, sob céu azul com nuvens
Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, fotografada em 26 de dezembro de 2025.Foto: Luiz Roberto / TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

Na noite de domingo (25), Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) disse que não reconhece o resultado. Ele afirmou que a equipe jurídica vai pedir a anulação da eleição, vencida por Lula com 51,79% dos votos válidos. Outros políticos repetiram a tese em seguida.

As reportagens e checagens publicadas até esta segunda-feira (26) não apresentam prova de fraude nas urnas. O que circula são acusações sobre o horário de votação e sobre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Veja quem as repete.

O principal argumento de Flávio é a prorrogação da votação até as 19h. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu a medida a pedido da campanha de Lula, segundo a Exame. Zanin disse que ela valia só para seções com urnas ainda abertas.

Flávio também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE. O tribunal respondeu que “a afirmação é falsa” e citou registros de presença e filmagens, segundo o Brasil de Fato. O Aos Fatos classificou as duas alegações como mentira.

Eduardo Bolsonaro publicou no X, antiga rede Twitter, um vídeo em inglês na segunda-feira. Em tradução do Poder360, ele disse que “ela foi claramente fraudulenta” e pediu “pressão internacional”. Ele também chamou de “estatisticamente impossível” a virada de Lula, conta que a reportagem contesta. A reportagem diz que ele não apresentou provas.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) disse que Lula deu um “golpe à la Venezuela” ao prorrogar a votação. Ele afirmou que foi “a eleição mais mentirosa que eu já vi na vida”. Segundo o Estado de Minas, ele não apresentou provas.

No Congresso, a ofensiva virou pedido de impeachment contra Zanin. O deputado Júnio Amaral (PL-MG) protocolou o pedido na segunda-feira, segundo O Fator. Jorge Seif (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS) disseram que vão pedir o mesmo, segundo a CNN Brasil. Nenhum pedido desse tipo avançou no Senado.

Nas redes, o Instituto Democracia em Xeque (DX), que mede a repercussão digital, contou 1,1 milhão de publicações sobre urnas e o processo eleitoral entre 17h e 18h30 de domingo. Outras 428,8 mil citavam alegações de golpe. O instituto diz que não verifica essas alegações.

A circulação já vinha antes do voto. A Agência Pública encontrou 418 publicações que questionavam as urnas em 60 canais do Telegram, com cerca de 891 mil inscritos.

Nos anúncios pagos da Meta, o NetLab/UFRJ, laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou 2.326 anúncios sobre o processo eleitoral entre 16 de agosto e 16 de setembro. Desses, 68,1% atacavam instituições ou levantavam suspeitas. Os anunciantes, 454 páginas, não são identificados por nome.

O padrão não é novo. Entre 2018 e 2023, a Lupa contou ao menos 19 ocasiões em que Jair Bolsonaro insinuou fraude nas urnas. Em novembro de 2022, o TSE rejeitou pedido da coligação de Bolsonaro para invalidar votos de 279 mil urnas e aplicou multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé.

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, deu 24 horas, em 23 de outubro, para a Meta, dona do Facebook e do Instagram, e para o X explicarem remoções e a distribuição de conteúdo político. O pedido partiu da campanha de Lula. A Meta disse que não tratou as campanhas de forma diferente. Não encontramos ordem do TSE para remover conteúdo sobre fraude após o segundo turno.

Nem toda a direita contesta. MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Republicanos, União Brasil e PSD (Partido Social Democrático) reconheceram a vitória de Lula, segundo a Capital News. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reconheceu o resultado e pediu pacificação, segundo o Poder360.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele disse no domingo (25) que não reconhece o resultado e que a equipe jurídica vai pedir a anulação, segundo o InfoMoney. A assessoria do senador não respondeu ao Aos Fatos até a publicação da checagem.

Por enquanto, a tese se apoia em horário de votação, sala-cofre e um cálculo de turnos que a reportagem contesta. Não há prova de adulteração. Não encontramos registro de que o pedido de anulação tenha sido protocolado no TSE. O próximo passo é esse pedido, se for apresentado, e a resposta das plataformas à Justiça Eleitoral.

Como fizemos: Reunimos reportagens e checagens publicadas em 25 e 26/10/2026 e acessadas em 26/10/2026, além de relatórios do DX (25/10/2026), do NetLab/UFRJ (3/10/2026), da Agência Pública (outubro de 2026) e de reportagens de 2022 e 2024 sobre o precedente. Os números de publicações e anúncios são dos próprios institutos, e não os verificamos. Os percentuais de votos vêm de reportagens. As falas de Eduardo Bolsonaro são traduções do Poder360. Esta versão não traz contato direto da redação com os citados.

Atualização, 26/10, 18h32: a CNN Brasil informou, com fontes anônimas da campanha, que Flávio não pedirá a anulação da votação, e sim a cassação da chapa de Lula por abuso de poder (CNN Brasil).

Fontes