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Leão XIV liga fé à cultura e defende acesso à educação

Em audiência desta quarta, papa afirma que nenhuma cultura é dona da fé e retoma apelo para superar analfabetismo e falta de instrução.

Papa Leão XIV sentado e sorrindo durante audiência no Vaticano
Leão XIV durante audiência com representantes da imprensa no Vaticano, em 12 de maio de 2025.Foto: Edgar Beltrán / The Pillar / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O papa Leão XIV defendeu nesta quarta-feira (28) que todos tenham acesso aos bens culturais fundamentais e à educação. A afirmação integrou a Audiência Geral dedicada à relação entre fé e cultura, no ciclo sobre o Concílio Vaticano II.

A catequese comentou os capítulos 53 a 62 da constituição pastoral Gaudium et spes. O documento trata da presença da Igreja no mundo contemporâneo. Segundo o papa, a fé pode viver em diferentes culturas, mas não pertence exclusivamente a nenhuma delas.

Essa distinção tem consequência direta para comunidades religiosas. Tradições, arte, ciência e formas de vida não devem ser tratadas como inimigas automáticas da fé. Ao mesmo tempo, nenhuma expressão cultural pode se apresentar como modelo único de cristianismo.

Cultura é bem comum, não privilégio

Leão XIV recordou que a Igreja acompanhou a pregação com a criação de escolas. A Gaudium et spes, acrescentou, pede esforço internacional para superar o analfabetismo e a falta de instrução. O texto também defende condições reais de acesso ao ensino superior para quem tem capacidade de cursá-lo.

A catequese articula três compromissos culturais Pontos da Audiência Geral de 28 de outubro de 2026

Compromisso Conteúdo apresentado
Acesso Superar analfabetismo e falta de instrução
Participação Reconhecer e fomentar a presença das mulheres na vida cultural
Formação Desenvolver conhecimento humano, científico e religioso

Fonte: catequese de Leão XIV, com base na Gaudium et spes.

A referência às mulheres aparece no documento conciliar citado pelo papa. Ela amplia a noção de acesso para além da entrada na escola. Participar da vida cultural inclui produzir conhecimento, arte e interpretações sobre o mundo.

Fé não dispensa estudo

O papa afirmou que os cristãos não estão dispensados de uma formação intelectual paciente. Conhecimentos humanos e científicos devem evoluir junto com os conteúdos da fé. Ele também pediu colaboração entre teólogos e especialistas de outras áreas.

A catequese relaciona essa abertura à Encarnação, a crença cristã de que o Filho de Deus se fez humano. Como a fé vive em ambientes concretos, ela se expressa por palavras, tradições, poesia, pensamento e ciência. Não existe uma experiência religiosa completamente separada da cultura.

Isso não significa aceitar toda prática sem reflexão. O papa disse que a Igreja reconhece o que há de bom, belo e verdadeiro nas culturas e busca transmitir o Evangelho nesse encontro. A relação proposta é de enriquecimento mútuo, não de isolamento.

O que diz Leão XIV: “A Igreja promove a cultura porque esta é um bem em si, é um serviço ao ser humano e ao cumprimento da sua vocação na terra”, declarou. A catequese integral foi publicada em português após a audiência.

Diálogo substitui a postura de hostilidade

Na conclusão, o papa rejeitou uma fé vivida em oposição ou hostilidade ao mundo. Ele pediu que os fiéis compreendam o modo de pensar e sentir das pessoas de seu tempo. A síntese entre fé e cultura foi apresentada como condição para um testemunho cristão credível.

O papa também saudou peregrinos de língua portuguesa, especialmente os brasileiros presentes. Pediu que os dons sejam colocados a serviço da fé e da dignidade humana.

A mensagem não anunciou um programa educacional nem uma norma para governos. Seu conteúdo é uma orientação religiosa e cultural. Para o leitor, o ponto concreto está na defesa simultânea de acesso à educação, participação cultural e diálogo entre diferentes saberes.

Como fizemos: Comparamos a íntegra da catequese publicada pela Diocese de Itumbiara com a reportagem da Canção Nova, ambas acessadas em 28/10/2026. Organizamos três compromissos explícitos do texto em uma tabela. Não atribuímos ao papa propostas governamentais ausentes da fala.

Fontes