FéRevista Terra de Santa Cruz

CNBB pede políticas para quem vive à margem de direitos

Em mensagens aos reeleitos e demais eleitos, bispos defendem diálogo, instituições e desenvolvimento que não se limita aos indicadores econômicos.

Lula conversa com Dom Jaime Spengler e outros bispos em uma biblioteca do Palácio da Alvorada
Lula recebe Dom Jaime Spengler e representantes da CNBB no Palácio da Alvorada, em junho de 2023.Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que o desenvolvimento não pode ser medido apenas por indicadores econômicos. Em mensagem enviada na segunda-feira (26) ao presidente e ao vice-presidente reeleitos, a entidade cobrou condições dignas para quem permanece à margem de direitos fundamentais.

O texto reconhece o resultado das urnas como expressão da decisão democrática. Também deseja que o novo mandato tenha “sabedoria”, “espírito de serviço” e compromisso com o bem comum. A mensagem foi publicada no site da entidade nesta quarta-feira (28).

Dois destinatários, uma agenda comum

No mesmo dia, a CNBB divulgou outra mensagem, dirigida a todos os eleitos. O alcance inclui governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. O documento cita pobreza, fome, desigualdades, trabalho digno, saúde, educação e moradia.

A comparação mostra que a orientação não se limita ao governo federal. A presidência da CNBB trata a reconstrução do diálogo como tarefa posterior à eleição. O texto aos demais eleitos destaca a responsabilidade compartilhada entre os poderes.

Mensagens ligam pacificação a direitos concretos Documentos da CNBB divulgados após o segundo turno de 25 de outubro

Destinatários Ênfases principais
Presidente e vice reeleitos Unidade, diálogo, instituições e condições dignas
Eleitos para os demais cargos Combate à pobreza, serviços públicos e uso correto de recursos

Fonte: CNBB. Comparação elaborada pela redação a partir dos dois comunicados.

A entidade pede políticas públicas com seriedade, continuidade e responsabilidade. Também defende a participação da sociedade na construção de soluções. O documento aos reeleitos menciona respeito à Constituição, combate à corrupção e enfrentamento de toda forma de violência.

Diálogo não significa adesão partidária

A mensagem geral afirma que eleitos representam inclusive cidadãos que fizeram outras escolhas. Segundo a CNBB, a pluralidade de ideias não deve impedir convergências em torno da vida e da dignidade. O argumento vale para os vencedores e para as demais forças políticas.

A Conferência diz que sua colaboração nasce do compromisso com o Evangelho, “especialmente com os pobres, os pequenos e os que sofrem”. O texto acrescenta que essa posição “não se confunde com adesão partidária”. A declaração delimita o papel institucional da Igreja no debate público.

O que diz a CNBB: “O Brasil necessita de gestos concretos de pacificação, de respeito às diferenças e de valorização das instituições democráticas”, afirma a mensagem aos reeleitos. A entidade também se coloca à disposição para diálogo institucional construtivo.

Autonomia entre Igreja e Estado

Ao oferecer cooperação, a CNBB ressalva a legítima autonomia entre Igreja e Estado. As áreas citadas para colaboração incluem defesa da vida, dignidade humana, justiça, fraternidade, solidariedade e paz. Não há proposta de governo religioso nem indicação de programa partidário.

A agenda apresentada terá acompanhamento durante o próximo mandato. O texto não define metas, prazos ou mecanismos de fiscalização. Esses detalhes dependerão das políticas anunciadas pelos governos e das decisões do Congresso e das assembleias.

A mensagem deixa um critério claro para esse acompanhamento. Indicadores econômicos continuam relevantes, mas não bastam para medir o desenvolvimento. A CNBB propõe observar também quem ainda não acessa direitos básicos e oportunidades.

Como fizemos: Lemos os dois comunicados publicados pela CNBB em 26/10/2026 e acessados nesta quarta-feira. Comparamos destinatários e temas, sem atribuir aos textos metas que eles não estabelecem. As declarações entre aspas reproduzem os documentos oficiais.

Fontes