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Leão XIV terá encontros com vítimas de abusos na América do Sul

Santa Sé confirma reuniões, mas não informa locais nem participantes; viagem de 6 a 17 de novembro passará por três países.

Papa Leão XIV conversa com o chanceler da Estônia, Margus Tsahkna, no Vaticano
Leão XIV recebe o chanceler da Estônia, Margus Tsahkna, no Vaticano, em 25 de março de 2026.Foto: Estonian Foreign Ministry / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A Santa Sé confirmou nesta terça-feira (27) que o papa Leão XIV se reunirá com vítimas de abusos cometidos por integrantes da Igreja durante sua viagem à América do Sul. Estão previstos vários encontros, mas o Vaticano não informou onde ocorrerão nem quem participará.

A viagem apostólica está marcada de 6 a 17 de novembro. O percurso inclui Uruguai, Argentina e Peru. O anúncio antecipado permite acompanhar um compromisso público de escuta, mas ainda não revela quais casos serão apresentados ao papa.

Três países em doze dias

O Uruguai receberá a primeira etapa, entre 6 e 8 de novembro. Leão XIV passará por Montevideo, Paysandú e Florida. Na Argentina, visitará Buenos Aires, Córdoba e Luján entre 8 e 11 de novembro.

O Peru encerrará a programação, com passagens por Chiclayo e Lima entre as cidades confirmadas. O atual papa foi missionário no país e serviu como bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023. Também possui cidadania peruana.

Viagem terá encontros com vítimas, mas locais não foram divulgados Itinerário internacional confirmado para novembro de 2026

País Período Cidades citadas
Uruguai 6 a 8 de novembro Montevideo, Paysandú e Florida
Argentina 8 a 11 de novembro Buenos Aires, Córdoba e Luján
Peru Até 17 de novembro Chiclayo e Lima, entre outras

Fontes: Sala de Imprensa da Santa Sé, ANSA e Associated Press. A tabela não atribui os encontros com vítimas a nenhuma cidade.

Confirmação antes dos encontros

Segundo a Associated Press, Leão XIV já havia se encontrado com sobreviventes de abusos na Espanha, em junho, e mais recentemente na França. Antes da viagem francesa, o Vaticano confirmou a reunião previamente. Em ocasiões anteriores, a prática era informar depois do encontro.

A mudança de comunicação torna o compromisso verificável antes da viagem. Ao mesmo tempo, a falta de detalhes impede saber se haverá representantes de diferentes países ou de casos específicos. Também não foi anunciada qualquer medida disciplinar ligada às reuniões.

No comunicado, a Santa Sé afirma que o papa deseja expressar proximidade com quem sofreu e ainda sofre com essa violência. O texto também menciona a construção de caminhos de cura acessíveis a quem precisar e uma Igreja espiritualmente segura.

O que diz a Santa Sé: O comunicado afirma que os encontros devem “trabalhar [com as vítimas] para desenvolver caminhos rumo à cura” e garantir que a Igreja continue sendo “um espaço seguro e espiritualmente saudável”. A posição foi divulgada nesta terça pela Sala de Imprensa.

O peso do caso peruano

Em abril, o Vaticano anunciou que planejava compensar vítimas do Sodalício de Vida Cristã, movimento católico fundado no Peru. O grupo foi dissolvido em 2025, após revelações de abusos sexuais e psicológicos atribuídos a alguns dirigentes.

O papa Francisco ordenou o fechamento ao fim de uma investigação de sete anos. Segundo a Associated Press, o atual Leão XIV foi designado pela conferência episcopal peruana para ouvir vítimas do movimento quando era bispo. Esse histórico explica a relevância da etapa peruana, sem permitir presumir o conteúdo das reuniões.

A viagem será a sexta internacional do pontificado e a primeira desde a cirurgia de câncer de pulmão realizada em 13 de outubro. O Vaticano mantém o roteiro previsto, segundo a Associated Press.

O que falta esclarecer

A próxima informação necessária é a agenda detalhada dos encontros. Também será importante saber se as vítimas poderão apresentar pedidos concretos de reparação e prevenção. Até agora, o compromisso anunciado é de escuta e construção de caminhos de cura.

O anúncio coloca a proteção das vítimas no centro da viagem, mas não substitui medidas institucionais. O alcance só poderá ser avaliado quando o Vaticano informar onde as reuniões ocorreram e quais encaminhamentos foram adotados.

Como fizemos: Comparamos o comunicado da Santa Sé reproduzido pela ANSA e pelas agências Associated Press e AFP em 27/10/2026. Organizamos o itinerário por país e calculamos doze dias entre 6 e 17 de novembro, incluindo os dois extremos. Não atribuímos encontros a locais não divulgados.

Fontes