Fé

Malafaia disse que a candidatura "não empolgou" e preferia Tarcísio e Michelle

Em janeiro, o pastor criticou a escolha de Flávio; em maio, declarou apoio em culto; em junho, afastou-se; em agosto, voltou, mas sem organizar atos.

O pastor Silas Malafaia, de terno escuro e gravata vinho, fala ao microfone em um auditório
O pastor Silas Malafaia discursa em evento, em abril de 2019 (foto de arquivo).Foto: Marcos Corrêa / Palácio do Planalto / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 22 de janeiro de 2026, o pastor Silas Malafaia disse que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência “não empolgou”. Afirmou que preferia os nomes de Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, segundo o site Fuxico Gospel. Nove meses depois, Malafaia apoia Flávio. Mas o caminho entre uma posição e outra diz muito sobre a candidatura.

Malafaia lidera a Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. É uma das vozes evangélicas mais conhecidas do país e aliado antigo da família Bolsonaro. Quando ele diz que um candidato da família “não empolgou”, o recado vem de dentro de casa.

De crítico a cabo eleitoral, e de volta

A crítica de janeiro não durou. Entre 3 e 5 de maio, Malafaia declarou apoio a Flávio durante um culto na própria igreja, segundo o Estado de Minas.

O apoio virou caso na Justiça. O Movimento Brasil Laico (MBLaico), entidade que defende a separação entre religião e Estado, levou o episódio ao Ministério Público (MP). Alegou abuso de poder religioso e doação de fonte vedada, já que igrejas não podem financiar campanhas, segundo a Agência Pública. O procurador decidirá se entra com ação, e ainda não há decisão.

Poucos dias depois do culto, em 13 de maio, veio o áudio do caso Dark Horse. Segundo o The Intercept Brasil, Flávio negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, uma promessa de US$ 24 milhões. O dinheiro seria para um filme sobre Jair Bolsonaro.

Em junho, Malafaia se afastou do candidato. Só voltou a apoiá-lo em agosto. Em 18 de agosto, segundo o Poder360, impôs uma condição: apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha.

O que o vaivém revela

Malafaia não é qualquer apoiador. Em fevereiro de 2024, sua associação, mantida por dízimos e ofertas, chegou a assumir o custeio de um ato de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, segundo o Metrópoles. Recuou após críticas e disse que pagaria o trio elétrico de R$ 55 mil do próprio bolso.

Esse é o pastor que, agora, apoia sem se engajar. Para quem já pôs a associação que dirige a serviço de um ato de Jair, recusar-se a organizar atos para o filho é uma escolha que chama atenção. A distância é medida em gestos, e o gesto de 2026 é de cautela.

O vaivém de Malafaia acompanha o humor de parte do eleitorado evangélico. Entre maio e junho, o apoio a Flávio nesse público caiu de 61% para 52%, segundo pesquisa Quaest relatada pela Agência Pública. Foi o mesmo período do áudio com Vorcaro e do afastamento do pastor.

É importante não exagerar o que o registro mostra. Malafaia não apoia Lula. No segundo turno, está com Flávio.

Tarcísio de Freitas, citado por ele em janeiro, também defendeu Flávio no caso do áudio. Michelle Bolsonaro, o outro nome lembrado pelo pastor, é a ex-primeira-dama e madrasta do candidato. As alternativas de Malafaia vinham, portanto, do mesmo campo político. A crítica de janeiro é sobre entusiasmo, e não sobre lado.

Mas entusiasmo conta. A candidatura de Flávio aposta pesado nos púlpitos, como mostrou o culto do Maracanãzinho, em 10 de outubro. Lá, o bispo Samuel Ferreira conduziu a plateia a repetir 14 vezes “irmão vota em irmão”, segundo o Jornal de Brasília.

A comparação com outros líderes ajuda a medir a distância. Malafaia declarou apoio em culto, em maio, mas avisou que não vai organizar atos. Na reta final, o entusiasmo que falta não aparece no palco.

O que diz Silas Malafaia: o pastor afirma que apoia Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas que não organizará atos de campanha, segundo o Poder360. Em maio, declarou o apoio durante culto na sua igreja, no Rio, conforme o Estado de Minas.

A uma semana do segundo turno, a frase de janeiro segue registrada. Um dos pastores mais próximos da família Bolsonaro disse que Flávio “não empolgou” e que preferia outros nomes. Depois, apoiou, recuou e voltou com reservas. Para o fiel que observa os seus líderes, esse percurso é um dado a mais na hora de votar.

Fontes