Malafaia disse que a candidatura "não empolgou" e preferia Tarcísio e Michelle
Em janeiro, o pastor criticou a escolha de Flávio; em maio, declarou apoio em culto; em junho, afastou-se; em agosto, voltou, mas sem organizar atos.

Em 22 de janeiro de 2026, o pastor Silas Malafaia disse que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência “não empolgou”. Afirmou que preferia os nomes de Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, segundo o site Fuxico Gospel. Nove meses depois, Malafaia apoia Flávio. Mas o caminho entre uma posição e outra diz muito sobre a candidatura.
Malafaia lidera a Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no bairro da Penha, no Rio de Janeiro. É uma das vozes evangélicas mais conhecidas do país e aliado antigo da família Bolsonaro. Quando ele diz que um candidato da família “não empolgou”, o recado vem de dentro de casa.
De crítico a cabo eleitoral, e de volta
A crítica de janeiro não durou. Entre 3 e 5 de maio, Malafaia declarou apoio a Flávio durante um culto na própria igreja, segundo o Estado de Minas.
O apoio virou caso na Justiça. O Movimento Brasil Laico (MBLaico), entidade que defende a separação entre religião e Estado, levou o episódio ao Ministério Público (MP). Alegou abuso de poder religioso e doação de fonte vedada, já que igrejas não podem financiar campanhas, segundo a Agência Pública. O procurador decidirá se entra com ação, e ainda não há decisão.
Poucos dias depois do culto, em 13 de maio, veio o áudio do caso Dark Horse. Segundo o The Intercept Brasil, Flávio negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, uma promessa de US$ 24 milhões. O dinheiro seria para um filme sobre Jair Bolsonaro.
Em junho, Malafaia se afastou do candidato. Só voltou a apoiá-lo em agosto. Em 18 de agosto, segundo o Poder360, impôs uma condição: apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha.
O que o vaivém revela
Malafaia não é qualquer apoiador. Em fevereiro de 2024, sua associação, mantida por dízimos e ofertas, chegou a assumir o custeio de um ato de Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, segundo o Metrópoles. Recuou após críticas e disse que pagaria o trio elétrico de R$ 55 mil do próprio bolso.
Esse é o pastor que, agora, apoia sem se engajar. Para quem já pôs a associação que dirige a serviço de um ato de Jair, recusar-se a organizar atos para o filho é uma escolha que chama atenção. A distância é medida em gestos, e o gesto de 2026 é de cautela.
O vaivém de Malafaia acompanha o humor de parte do eleitorado evangélico. Entre maio e junho, o apoio a Flávio nesse público caiu de 61% para 52%, segundo pesquisa Quaest relatada pela Agência Pública. Foi o mesmo período do áudio com Vorcaro e do afastamento do pastor.
É importante não exagerar o que o registro mostra. Malafaia não apoia Lula. No segundo turno, está com Flávio.
Tarcísio de Freitas, citado por ele em janeiro, também defendeu Flávio no caso do áudio. Michelle Bolsonaro, o outro nome lembrado pelo pastor, é a ex-primeira-dama e madrasta do candidato. As alternativas de Malafaia vinham, portanto, do mesmo campo político. A crítica de janeiro é sobre entusiasmo, e não sobre lado.
Mas entusiasmo conta. A candidatura de Flávio aposta pesado nos púlpitos, como mostrou o culto do Maracanãzinho, em 10 de outubro. Lá, o bispo Samuel Ferreira conduziu a plateia a repetir 14 vezes “irmão vota em irmão”, segundo o Jornal de Brasília.
A comparação com outros líderes ajuda a medir a distância. Malafaia declarou apoio em culto, em maio, mas avisou que não vai organizar atos. Na reta final, o entusiasmo que falta não aparece no palco.
O que diz Silas Malafaia: o pastor afirma que apoia Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas que não organizará atos de campanha, segundo o Poder360. Em maio, declarou o apoio durante culto na sua igreja, no Rio, conforme o Estado de Minas.
A uma semana do segundo turno, a frase de janeiro segue registrada. Um dos pastores mais próximos da família Bolsonaro disse que Flávio “não empolgou” e que preferia outros nomes. Depois, apoiou, recuou e voltou com reservas. Para o fiel que observa os seus líderes, esse percurso é um dado a mais na hora de votar.
Fontes
- Silas Malafaia critica Flávio Bolsonaro e cita chapa Tarcísio e Michelle — Fuxico Gospel
- Flávio Bolsonaro recebe apoio de Malafaia durante culto no RJ — Estado de Minas
- Flávio Bolsonaro canta em culto e recebe pedido simulado de voto — Jornal de Brasília
- Procurador decidirá se entra com ação contra Flávio e Malafaia — Agência Pública
- Áudio: Flávio negociou milhões com Vorcaro — The Intercept Brasil
- Malafaia diz que apoia Flávio, mas não organizará atos de campanha — Poder360
- Redes fazem Malafaia recuar de usar dízimo ao pagar trio de Bolsonaro — Metrópoles
- Por que imagem Bolsonaro não cola nos evangélicos — Agência Pública



