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Bispos criticam Flávio em carta; CNBB diz que não é posição oficial

Carta de bispos diz que a candidatura de Flávio Bolsonaro ameaça a democracia. A CNBB afirma que o texto não é posição oficial da entidade.

Debate entre presidenciáveis promovido pela CNBB em setembro de 2010, com candidatos reunidos para a discussão
Debate entre presidenciáveis promovido pela CNBB, em setembro de 2010.Foto: Rede Brasil Atual / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na quinta-feira (22), bispos e arcebispos divulgaram uma carta aberta ao “povo de Deus” sobre as eleições. No dia seguinte, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota dizendo que o texto não é posição oficial da entidade. A disputa é sobre quem fala em nome da Igreja Católica no país.

Segundo o Poder360, a carta tinha 47 assinaturas na manhã de sexta-feira (23). Uma versão posterior, citada pelo Brasil de Fato, tinha 54. As reportagens consultadas não trazem a lista completa dos signatários.

O que diz a carta

Segundo o Poder360, o texto afirma que a candidatura ameaça a democracia, a soberania nacional e o bem comum. Os bispos criticam posições do candidato sobre armas, meio ambiente, direitos dos trabalhadores e tortura. A reportagem diz que a carta não cita Flávio Bolsonaro pelo nome.

O Brasil de Fato cita trechos que tratam dele. Um deles diz que o candidato é “publicamente favorável à tortura”. Outro afirma que a candidatura “ameaça frontalmente diversos pontos centrais” da Doutrina Social da Igreja, o conjunto de ensinamentos católicos sobre a vida em sociedade.

Os bispos também escrevem que “não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro”, segundo o Brasil de Fato.

Entre os signatários citados pelo Brasil de Fato estão Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e três arcebispos: Dom Roque Paloschi, de Porto Velho (RO), Dom Zanoni Demettino Castro, de Feira de Santana (BA), e Dom Paulo Mendes Peixoto, de Uberaba (MG).

O que diz a nota da CNBB

A nota da CNBB é de 23 de outubro de 2026. Segundo trecho citado pelo Poder360, “nenhuma pessoa física ou jurídica tem capacidade e habilitação canônica e cível para se pronunciar oficial e legitimamente em nome da CNBB”. Canônica quer dizer pela lei da própria Igreja.

Pelo que a nota prevê, só a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência falam oficialmente pela entidade. Comissões episcopais e conselhos regionais podem falar sobre suas áreas. Manifestações assinadas por bispos individualmente não são atribuídas automaticamente à conferência, segundo o Brasil de Fato.

A tensão com a CNBB vem de antes. Em setembro, Flávio Bolsonaro atribuiu a “gente de dentro da CNBB” um boato sobre Nossa Senhora Aparecida. A entidade negou. Na busca feita para esta reportagem, não encontramos resposta pública de Flávio Bolsonaro à carta.

O que diz a CNBB: Em nota de 23 de outubro de 2026, a entidade afirma que só a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência falam oficialmente em seu nome. A nota está publicada no site da CNBB.

O que isso significa

A carta fala pelos bispos que a assinam. A CNBB, pelas regras que cita, não assume o texto como seu. A mensagem oficial do Conselho Permanente, de 21 de outubro, defendeu a Constituição e o respeito às urnas. Pediu que os eleitores avaliem a trajetória dos candidatos, sem citar nomes.

Em aberto estão o número final de signatários, que as reportagens dão como 47 e 54, e a lista completa dos nomes. Também não se sabe se outros bispos vão aderir ao texto.

Como fizemos: Usamos a reportagem do Poder360 sobre a carta e a nota da CNBB, a reportagem do Brasil de Fato sobre o texto e os signatários, e a página de notas do site da CNBB, acessados em 24/10/2026. As contagens de assinaturas vêm de reportagens publicadas em momentos diferentes; não fizemos contagem própria. Não lemos a íntegra da carta nem da nota; as citações vêm das reportagens. Não houve contato prévio com a campanha de Flávio Bolsonaro nem com os signatários.

Fontes