EducaçãoRevista Terra de Santa Cruz

UFMG quer acelerar mapas detalhados de 92% do território

Supercomputador Soberano usará inteligência artificial para ampliar cartografia na escala de 1 para 25 mil, hoje disponível em só 8% do país.

Entrada principal do campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais
Portaria do campus Pampulha da UFMG, em Belo Horizonte, onde os equipamentos foram inaugurados.Foto: Galabel Morea / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurou na terça-feira (27) o supercomputador Soberano para acelerar a produção de mapas detalhados do Brasil. Apenas 8% do território nacional têm cartografia na escala de 1 para 25 mil, segundo a universidade.

Isso significa que 92% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados ainda não possuem esse nível de detalhamento. A proporção corresponde a cerca de 7,82 milhões de quilômetros quadrados, conforme cálculo da redação.

Na escala de 1 para 25 mil, um centímetro no mapa representa 250 metros no terreno. Esse detalhe apoia planejamento municipal, gestão de bacias hidrográficas, prevenção de desastres e proteção de infraestruturas.

Computação ataca um gargalo territorial

O Soberano foi instalado no Instituto de Geociências (IGC), no campus Pampulha, em Belo Horizonte. Ele processará imagens de satélites, radares, drones e sensores com inteligência artificial (IA), tecnologia que identifica padrões em grandes conjuntos de dados.

A automação pretende extrair informações geográficas mais rapidamente. O objetivo não é substituir a pesquisa cartográfica, mas ampliar a capacidade de analisar volumes que levariam décadas pelos métodos tradicionais, segundo a coordenação do projeto.

A maior parte do país ainda não tem a escala detalhada Cobertura cartográfica na escala de 1 para 25 mil informada pela UFMG

Situação Participação no território Área aproximada
Com mapeamento nessa escala 8% 680 mil km²
Sem mapeamento nessa escala 92% 7,82 milhões de km²

Fonte: UFMG. Áreas calculadas pela redação sobre 8,5 milhões de km² e sujeitas a arredondamento.

O projeto reúne UFMG, Instituto Militar de Engenharia (IME) e Diretoria de Serviço Geográfico do Exército. A mesma cartografia poderá apoiar vigilância de fronteiras, combate ao desmatamento e resposta a inundações e deslizamentos.

Equipamento foi configurado por equipes brasileiras

O sistema reúne oito aceleradores NVIDIA H200, dez unidades de processamento e cerca de 400 terabytes de armazenamento. A UFMG informa que equipes brasileiras projetaram, instalaram e configuraram toda a infraestrutura.

No mesmo evento, a universidade apresentou a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini XLW. Instalada na Escola de Engenharia, ela registra centenas de faixas estreitas da luz. Isso permite analisar características de objetos e superfícies que uma fotografia comum não distingue.

Os dois equipamentos receberam R$ 15 milhões em investimentos públicos, segundo o g1. Foram adquiridos por chamada da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) de 2023. Pesquisadores e instituições parceiras terão uso compartilhado da estrutura.

O que diz a UFMG: A coordenadora Sônia Carvalho afirmou que a geoinformação é estratégica por envolver fronteiras e recursos naturais. Segundo ela, o projeto busca desenvolver capacidade autônoma de conhecimento cartográfico e ampliar parcerias.

Resultado dependerá do uso compartilhado

A inauguração entrega capacidade técnica, não um mapa completo do país. A cobertura de 8% descreve a situação anterior ao processamento dos novos dados. Ainda não há prazo público para alcançar todo o território.

A expectativa é que os resultados apoiem políticas públicas municipais, estaduais e federais. Entre as instituições citadas como possíveis usuárias estão o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O próximo marco será a produção efetiva das novas cartas e sua disponibilidade às equipes parceiras. Até lá, o dado central permanece a diferença entre a ambição do projeto e a lacuna de 92% na cobertura detalhada.

Como fizemos: Conferimos os comunicados da UFMG e do Ministério da Educação e a reportagem do g1, acessados em 28/10/2026. Calculamos 8% e 92% de 8,5 milhões de km². Os dados de cobertura são da universidade; as áreas são aproximações e não representam mapas produzidos pelo novo equipamento.

Fontes