Cultura

Folia de Reis: como funciona a tradição dos Santos Reis

Companhias saem com bandeira, mestre e palhaços para visitar casas; Minas Gerais registrou as folias como patrimônio estadual em 2017.

Ilustração abstrata de azulejos com quadrifólios, em ocre, dourado e tons de linho (imagem provisória)
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 6 de janeiro de 2017, o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais aprovou, por unanimidade, o registro das Folias de Minas como patrimônio imaterial do estado. Foi a primeira vez que o conselho reconheceu um bem presente em todo o território mineiro, segundo o jornal Hoje em Dia. A data coincidiu com o Dia de Reis, que encerra o ciclo das folias.

A Folia de Reis, também chamada de Reisado, veio de Portugal no período colonial, segundo a Agência Brasil. Recebe ainda nomes como Terno de Reis, Tiração de Reis, Rancho de Reis e Guerreiros. Os grupos homenageiam os três Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar, que levaram ouro, incenso e mirra ao Menino Jesus.

O ciclo e a visita às casas

Tradicionalmente, a folia sai entre 24 de dezembro e 6 de janeiro, o Dia de Reis. Em muitos lugares, o ciclo é mais longo e vai de 8 de dezembro a 20 de janeiro, dia de São Sebastião. Os dados são de reportagem do Sesc São Paulo.

A companhia, como o grupo é chamado, vai de casa em casa. Os foliões cantam versos sobre a viagem dos Reis Magos, recolhem doações para quem precisa ou cumprem promessas feitas aos santos. Na chegada, o dono da casa recebe a bandeira, leva-a pelos cômodos e a coloca diante do presépio. Depois, costuma oferecer café, uma pinga e uma esmola. Pelo costume, os foliões não voltam pelo mesmo caminho.

Quem é quem na companhia

O mestre, também chamado de embaixador, puxa a cantoria e guarda os versos herdados dos mais velhos. O contramestre o ajuda. A bandeira é o símbolo máximo da folia: um estandarte com a imagem de um santo protetor.

Os palhaços, também chamados de mascarados ou bastiões, usam fardas coloridas e máscaras. Segundo a reportagem do Sesc, eles podem representar os soldados de Herodes ou os reis já convertidos. Em São Paulo e Minas, vão à frente da bandeira. No Rio de Janeiro, ficam atrás dela.

Os instrumentos variam por região. Entre os mais comuns estão viola, violão, pandeiro, caixa, bumbo, sanfona e rabeca. No Espírito Santo e em Minas, existem ainda ternos de reis sem palhaço, em estilo coral.

Onde a tradição é forte

A Folia de Reis aparece sobretudo no Sudeste, no Nordeste e no Centro-Oeste, segundo a Agência Brasil. Em Minas, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) já cadastrou mais de 1.600 grupos. Em Pernambuco, o Reisado recebeu em 2022 o título de patrimônio cultural imaterial do estado.

Não há, por enquanto, registro nacional da Folia de Reis. Em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mapeou folias em 14 municípios fluminenses.

O que diz o Iphan: Em janeiro de 2026, o Departamento de Patrimônio Imaterial do instituto tinha três pedidos de registro abertos, segundo a Agência Brasil. São eles os Reisados de Pernambuco, as Folias de Reis Fluminenses e as Folias de Reis do Estado de São Paulo.

O próximo ciclo começa em 24 de dezembro de 2026 e termina em 6 de janeiro de 2027. Enquanto os pedidos no Iphan não são decididos, o reconhecimento vem dos estados e, sobretudo, das próprias comunidades. A tradição depende de portas abertas: sem casas que recebam a bandeira, não há folia.

Fontes