Pediatras orientam evitar telas até os 2 anos; veja limites por idade
Sociedade Brasileira de Pediatria e guia do governo federal orientam pouco tempo de tela, sem celulares nas refeições e longe da hora de dormir.

Em 25 de agosto de 2025, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou o documento “Primeira Infância #Sem Telas #Mais Saúde”. A orientação central é clara: aparelhos digitais não são recomendados para crianças menores de 2 a 3 anos.
O texto atualiza a série de recomendações da entidade sobre o tema, iniciada em 2016. Ele se soma ao manual “#Menos Telas #Mais Saúde”, revisado em 2024, e a um guia lançado pelo governo federal em 2025.
Quanto tempo em cada idade
Para a primeira infância, a SBP sugere evitar mais de 30 a 60 minutos de tela por dia entre 3 e 6 anos. A criança nunca deve ficar sozinha diante da tela. Videochamadas com parentes são aceitas, mas sempre com um adulto por perto.
Para os mais velhos, valem os limites da atualização de 2024 do manual. Dos 6 aos 10 anos, o teto é de uma a duas horas por dia, sempre com supervisão. Dos 11 aos 18 anos, a faixa é de duas a três horas diárias, sem passar a noite em jogos.
Segundo a SBP, estudos mostram mais riscos à saúde e ao comportamento com mais de quatro ou cinco horas de uso por dia.
O que diz o guia do governo
Em março de 2025, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) lançou o guia “Crianças, Adolescentes e Telas”. O documento foi feito com ministérios e com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O guia recomenda não usar telas antes dos 2 anos, salvo em videochamadas com a família. Também orienta que crianças não tenham smartphone próprio antes dos 12 anos. Segundo o texto, “quanto mais tarde” vier o aparelho, “melhor”.
Para adolescentes de 12 a 17 anos, o uso deve ter acompanhamento da família ou de educadores. O guia pede atenção especial antes dos 14 anos. O acesso a redes sociais deve respeitar a Classificação Indicativa, o sistema do Ministério da Justiça que indica a idade adequada de cada conteúdo.
Dicas práticas para a família
Os dois documentos coincidem em vários pontos práticos. O primeiro é tirar as telas das refeições, também para os adultos. O segundo é desligar os aparelhos pelo menos uma hora antes de dormir. A SBP fala em uma a duas horas.
Outra orientação é combinar os horários de tela antes e cumprir o combinado. O guia sugere deixar o entretenimento para depois das tarefas escolares. Também desaconselha usar o celular como prêmio ou castigo.
A SBP pede que a tela não seja usada para acalmar birras e choros. Os dois textos sugerem trocar parte das telas por brincadeiras ao ar livre, leitura e conversa. O guia lembra ainda que os adultos são modelo de comportamento: moderar o próprio uso faz diferença.
O que diz a SBP: Ao divulgar a atualização de 2024, a coordenadora do grupo de saúde digital, Evelyn Eisenstein, afirmou que “celular não é brinquedo de criança”. Para ela, “a desconexão deve ser um exercício em família”.
As recomendações não são lei, e cada família conhece a própria rotina. Mas elas resumem o que a ciência já sabe. Em caso de dúvida, o pediatra é o melhor parceiro para ajustar os limites a cada criança.
Fontes
- Primeira Infância #Sem Telas #Mais Saúde (2025) — Sociedade Brasileira de Pediatria
- #Menos Telas #Mais Saúde: Atualização 2024 — Sociedade Brasileira de Pediatria
- SBP atualiza orientações para crianças e adolescentes na era digital — Sociedade Brasileira de Pediatria
- Crianças, Adolescentes e Telas: guia sobre usos de dispositivos digitais — Secom
- Governo lança guia sobre uso de telas por crianças e adolescentes — CNN Brasil


