CNBB: como a conferência dos bispos católicos se organiza no Brasil
Criada em 1952, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reúne os bispos do país, tem 19 regionais e promove a Campanha da Fraternidade.

Em 14 de outubro de 1952, bispos católicos reunidos no Rio de Janeiro criaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Entre os fundadores estava dom Hélder Câmara, o primeiro secretário-geral. Hoje a entidade tem sede em Brasília.
A CNBB se define como a “instituição permanente que congrega os Bispos da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil”. Ela se apoia no Código de Direito Canônico, a lei interna da Igreja, que prevê conferências de bispos em cada país. A conferência não manda nas dioceses: cada bispo segue responsável pela própria Igreja local.
Quem faz parte
Os membros são os bispos em atividade no país. Bispos eméritos, isto é, já afastados do governo de uma diocese, são convidados para as assembleias com voto apenas consultivo. O núncio apostólico, representante do papa no Brasil, também é convidado.
Como funciona
A Assembleia Geral é o órgão máximo. Os bispos costumam se reunir uma vez por ano no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). A 62ª assembleia terminou em 24 de abril de 2026. Ela aprovou as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, documento que orienta o trabalho pastoral da Igreja no país.
A cada quatro anos, a assembleia elege a Presidência: presidente, dois vice-presidentes e secretário-geral. Segundo o site da CNBB, ninguém pode ficar na Presidência por mais de dois mandatos seguidos. O mandato atual começou em 2023. O presidente é o cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, e o secretário-geral é dom Ricardo Hoepers.
Entre uma assembleia e outra, o Conselho Permanente acompanha o trabalho. Ele se reúne três vezes por ano. Fazem parte dele a Presidência, os presidentes das comissões episcopais e representantes dos regionais.
O país é dividido em 19 regionais. Cada um repete a estrutura da sede, com presidência própria e secretário-executivo. As comissões episcopais cuidam de áreas como liturgia, educação, ação missionária e diálogo com outras religiões. Ligados à CNBB estão pastorais e organismos, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
A Campanha da Fraternidade
A ação mais conhecida da CNBB é a Campanha da Fraternidade, realizada na Quaresma. Ela nasceu em 1962, em Natal (RN), e ganhou alcance nacional em 1964. Cada edição tem um tema social. Em 2026, o tema é “Fraternidade e Moradia”.
As doações da campanha alimentam o Fundo Nacional de Solidariedade. Segundo a CNBB, o fundo apoia projetos sociais de comunidades em situação de vulnerabilidade. Em 2026, os projetos ligados à campanha tratam de acesso à moradia digna.
O que diz a CNBB: Em seu site, a conferência afirma que nela os bispos procuram “dinamizar a própria missão evangelizadora” e responder “aos desafios contemporâneos”. Entre suas tarefas, cita apoiar o ministério dos bispos, oferecer diretrizes às dioceses e representar o episcopado “junto a outras instâncias, inclusive a civil”.
Quando a CNBB publica uma nota, ela fala em nome do conjunto dos bispos, e não de cada católico. Entender essa estrutura ajuda o leitor a interpretar suas posições públicas com precisão. O próximo marco é a assembleia de 2027, que elegerá a Presidência para os quatro anos seguintes.
Fontes
- A CNBB — CNBB
- Assembleia Geral — CNBB
- Presidência — CNBB
- Conselho Permanente — CNBB
- Regionais — CNBB
- “Fraternidade e Moradia”: campanha da CNBB estimula projetos e ações — CNBB
- CNBB lança novas Diretrizes e convida Igreja a alargar a Tenda do Encontro — Vatican News
- CNBB aprova Ano Missionário Nacional durante Assembleia em Aparecida — Jornal Grande Bahia
- Memória dos setenta anos da CNBB, constituída em 14-10-1952 — Instituto Humanitas Unisinos


