Novo ano litúrgico católico começa em 29 de novembro, com o Advento
Do Advento ao Tempo Comum, entenda o calendário da Igreja, o sentido das cores, a regra que define a data da Páscoa e os ciclos de leituras.

Em 29 de novembro de 2026, primeiro domingo do Advento, a Igreja Católica começa um novo ano litúrgico. Nesse dia também muda o ciclo de leituras. Sai o Ano A, dedicado ao Evangelho de Mateus, e entra o Ano B, de Marcos.
O ano litúrgico é o calendário que organiza as celebrações da Igreja e não coincide com o ano civil. Suas regras estão nas Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário. O papa Paulo VI as aprovou em 1969, depois do Concílio Vaticano II, e elas passaram a valer em 1970.
Os tempos do ano
O Advento abre o ciclo. Ele começa no domingo mais próximo de 30 de novembro e tem quatro domingos de preparação para o Natal. Em 2026, o quarto domingo cai em 20 de dezembro.
O Tempo do Natal vai do Natal até a festa do Batismo do Senhor, no domingo seguinte à Epifania. Depois vem a primeira parte do Tempo Comum.
A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e prepara a Páscoa. Ela termina na Quinta-feira Santa, antes da missa da Ceia do Senhor. Ali começa o Tríduo Pascal, que as normas apontam como o ponto alto de todo o ano litúrgico. O Tríduo passa pela Vigília Pascal e termina na oração da tarde do Domingo de Páscoa.
O Tempo Pascal dura 50 dias, da Páscoa a Pentecostes. As normas pedem que esse período seja celebrado como um único dia de festa. Depois de Pentecostes, o Tempo Comum é retomado e segue até o Advento. Ao todo, ele soma 33 ou 34 semanas.
Como se calcula a Páscoa
A Páscoa não tem data fixa. Pela regra tradicionalmente associada ao Concílio de Niceia, de 325, ela é o primeiro domingo depois da primeira lua cheia a partir de 21 de março. Essa data marca o equinócio de março, que no Brasil inicia o outono.
O cálculo usa tabelas da própria Igreja, não a observação astronômica exata. Por isso, a Páscoa sempre cai entre 22 de março e 25 de abril. Em 2027, será em 28 de março. A Quarta-feira de Cinzas cai em 10 de fevereiro, e Pentecostes, em 16 de maio.
Cores e leituras
Cada tempo tem uma cor nas vestes do padre, segundo a Instrução Geral do Missal Romano. O roxo marca o Advento e a Quaresma. O branco é usado no Natal e na Páscoa, e o verde, no Tempo Comum. O vermelho aparece em Pentecostes, na Sexta-feira Santa e nas festas de mártires. O rosa é opcional no terceiro domingo do Advento e no quarto da Quaresma.
As leituras de domingo seguem três ciclos. No Ano A, lê-se principalmente Mateus. No Ano B, Marcos, e no Ano C, Lucas. O Evangelho de João aparece sobretudo na Quaresma e no Tempo Pascal.
O que dizem as normas da Igreja: Para as Normas Universais sobre o Ano Litúrgico, a Igreja celebra ao longo do ano todo o mistério de Cristo. Esse ciclo vai da encarnação a Pentecostes e à espera de sua volta. O domingo, dia da ressurreição, é apontado como a primeira de todas as festas. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publica a liturgia de cada dia em seu site.
Para o fiel, conhecer o calendário ajuda a entender por que a missa muda de cor, de leituras e de tom ao longo do ano. Para quem não é católico, ele explica datas que marcam a vida do país, como o Carnaval, que antecede a Quarta-feira de Cinzas. O próximo marco é o Advento, em 29 de novembro.
Fontes
- Carta apostólica Mysterii Paschalis, que aprova as Normas Universais do Ano Litúrgico — Santa Sé
- General Norms for the Liturgical Year and the Calendar (texto das normas, em inglês) — Catholic Culture
- Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a sagrada liturgia — Santa Sé
- Instrução Geral do Missal Romano (n. 346, sobre as cores) — Arquidiocese de Goiânia
- Liturgia Diária — CNBB


