Fé

Candomblé e umbanda: o que são as religiões afro-brasileiras

Do primeiro terreiro tombado pelo Iphan às nações Ketu, Jeje e Angola, veja como surgiram e como se organizam o candomblé e a umbanda.

Ilustração abstrata de uma rosácea de vitral ou de uma arcada de janelas ogivais, em vinho, dourado e tons de linho (imagem provisória)
Imagem provisória, a ser substituída pela ilustração ou fotografia definitiva antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 1984, o terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, entrou nos livros do Tombo federal, segundo a Fundação Cultural Palmares. Tombar é proteger por lei um bem de valor histórico ou cultural. Para a Palmares, foi o primeiro terreiro de candomblé reconhecido como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O terreiro, chamado em iorubá de Ilê Axé Iyá Nassô Oká, surgiu por volta de 1830. Segundo a Palmares, ele foi fundado por três mulheres africanas da nação nagô. Dele nasceram outras casas famosas, como o Gantois e o Ilê Axé Opô Afonjá.

O que é o candomblé

O candomblé se formou no Brasil a partir de tradições trazidas por africanos escravizados. Povos de diferentes regiões da África recriaram aqui seus cultos. Dessas origens vêm as chamadas nações.

A nação Ketu, de origem iorubá, cultua os orixás, como Oxalá, Iemanjá, Xangô e Ogum. A nação Jeje, ligada aos povos fon, cultua os voduns. A nação Angola, de raiz banto, cultua os inquices. Cada nação tem língua ritual, cantos e toques de tambor próprios.

O templo é o terreiro, também chamado de casa ou roça. Quem dirige é uma ialorixá ou um babalorixá, a mãe ou o pai de santo. Os fiéis passam por uma iniciação e seguem uma hierarquia baseada no tempo de vida religiosa. O conhecimento passa sobretudo de forma oral, dos mais velhos aos mais novos.

Uma ideia central é o axé, a força vital que os fiéis veem nas pessoas, na natureza e nos objetos sagrados. As festas públicas, com dança, música e oferendas, celebram os orixás e as demais divindades.

O que é a umbanda

A umbanda surgiu no Sudeste no início do século 20. Pela tradição umbandista, ela foi anunciada em 15 de novembro de 1908, no estado do Rio de Janeiro. Nesse dia, o médium Zélio Fernandino de Moraes teria recebido o espírito do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Historiadores discutem essa origem, mas a data virou marco. A Lei 12.644, de 2012, criou o Dia Nacional da Umbanda, celebrado em 15 de novembro.

A umbanda reúne elementos africanos, indígenas, católicos e espíritas. Nas sessões, chamadas de giras, médiuns recebem entidades como caboclos, pretos-velhos e crianças. Elas aconselham e dão passes a quem procura o terreiro. Os orixás também são cultuados, muitas vezes associados a santos católicos.

Essa associação se chama sincretismo e também aparece em parte do candomblé. Na Bahia, por exemplo, Oxalá é ligado ao Senhor do Bonfim, e a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, em Salvador, reúne as duas tradições.

No Censo 2022, umbanda e candomblé somaram 1% das pessoas com 10 anos ou mais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, eram 0,3%.

O que diz a Fundação Cultural Palmares: A fundação cita o Iphan sobre o valor dos terreiros. Segundo o instituto, eles abrigam “um universo simbólico rico em tradições como as danças, cantos, poesias (oriquis), mitos, rituais”. Para a Palmares, a Casa Branca é “pioneira no tombamento nacional”.

Desde 2023, o país também celebra em 21 de março o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, criado pela Lei 14.519. As duas datas reconhecem que essas religiões fazem parte da formação cultural e espiritual do Brasil. Conhecer suas práticas é o primeiro passo para respeitá-las.

Fontes