Educação

Escola em tempo integral chega a 25,8% das matrículas públicas

Censo de 2025 mostra fatia de 25,8% das matrículas públicas em tempo integral; a nova meta do PNE pede metade dos alunos até 2036.

Interior amplo e claro de escola com teto de vidro, paredes brancas, portas azuis e guarda-corpo branco no andar superior
Interior da escola de tempo integral Suburbano, em Itapevi (SP), fotografado pela prefeitura em 2019. A imagem não mostra uma escola do programa federal.Foto: Felipe Barros / Prefeitura de Itapevi / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 26 de fevereiro de 2026, o MEC e o Inep divulgaram a primeira etapa do Censo Escolar de 2025. Os dados mostram que 25,8% das matrículas presenciais da rede pública estão em tempo integral. Em 2021, essa fatia era de 15,1%.

Tempo integral é a matrícula em que o aluno fica na escola pelo menos 7 horas por dia ou 35 horas por semana. O alvo está no Programa Escola em Tempo Integral, criado pela Lei 14.640, de 2023.

Quanto custa, e de onde sai o dinheiro

O MEC estima cerca de R$ 16 bilhões de investimento em 2026, segundo reportagem da Rádio Senado sobre a audiência de 26 de maio de 2026. Desde 2026, pelo menos 4% do Fundeb, fundo que financia a educação básica, devem ir à criação de matrículas integrais, segundo o MEC. Ou seja, parte do dinheiro já destinado à educação ganha essa finalidade.

No ciclo 2024–2025, estados, municípios e o Distrito Federal pactuaram 792.785 matrículas integrais, segundo a Undime, entidade dos dirigentes municipais de educação. Não encontramos um total oficial de vagas criadas até agora.

Quem ganha, e onde a diferença aparece

Escolas com jornada integral têm Ideb mais alto em todas as etapas. O Ideb é o índice do MEC que combina a nota em Português e Matemática com a taxa de aprovação.

Escolas de tempo integral têm Ideb mais alto em todas as etapas Ideb 2025, por etapa, em escolas com 7 horas ou mais e com menos de 7 horas por dia

Etapa Tempo integral Menos de 7 horas
Anos iniciais do fundamental 6,2 6,0
Anos finais do fundamental 5,2 4,9
Ensino médio 4,7 4,3

Fonte: MEC e Inep, via Agência Gov (06/08/2026). Elaboração: redação.

A diferença também aparece entre regiões. Nos anos iniciais, escolas integrais do Sul têm Ideb de 6,7, e as do Norte, de 5,5.

Para as famílias, o horário pesa. Na audiência de 18 de agosto de 2026, Jucineide Fernandes, secretária de Educação do Ceará, falou pelo Consed. Ela disse que alguns alunos não conseguem ficar o dia todo por responsabilidades em casa, como cuidar de irmãos. Segundo o Jornal Grande Bahia, a maioria das matrículas em creche já é integral.

Segundo a Itaú Social, foram 923 mil novas matrículas em um ano. O total passou de 8,8 milhões de alunos na rede pública em tempo integral, em 2025.

Os números que ainda não batem

O MEC afirma que o país atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) de 2014–2024. Ela pedia 25% dos alunos da rede pública em tempo integral. Mas o Inep apresentou 26,6% para a rede pública em 2025, na audiência de 18 de agosto. A reportagem não explica a diferença com o Censo.

O novo PNE, sancionado em 14 de abril de 2026, pede tempo integral em 65% das escolas públicas e em metade dos alunos da educação básica até 2036. Pela nossa conta, faltam 24,2 pontos percentuais para chegar a 50%. Entre 2021 e 2025, a fatia subiu cerca de 2,7 pontos por ano. A meta exige cerca de 2,2 pontos por ano, um ritmo menor que o recente.

As críticas

Nem todos veem o avanço sem ressalvas. Em 2023, o Todos pela Educação disse que a matrícula integral custa duas a três vezes mais que a parcial, sobretudo por causa da alimentação. Um estudo técnico do BID, de 2023, aponta efeitos marginais sobre o desempenho escolar, segundo seu resumo.

Na audiência de agosto, Odisséia Pinto de Carvalho, da CNTE, disse que caiu a parcela de professores efetivos, com mais contratos temporários e terceirizados. Já a Rádio Senado relatou que o MEC reconheceu que as diferenças de infraestrutura entre as escolas ainda não foram superadas.

O que diz o MEC: Segundo a página de perguntas frequentes do programa, atualizada em 30 de dezembro de 2025, a política busca ampliar a oferta de tempo integral conforme a Meta 6 do PNE e melhorar a qualidade da educação pública. Em agosto de 2026, a pasta afirmou que ampliar a jornada, por si só, não define uma política. Não houve contato direto com o ministério para esta reportagem.

O que isso significa

O Brasil alcançou a meta antiga em número de alunos. A nova meta é mais alta e depende de prédios, professores e alimentação. A jornada longa coincide com Ideb mais alto, mas os dados não provam que ela causa esse resultado.

Até 31 de outubro de 2026, as redes de ensino devem revisar ou criar regras para tempo integral, segundo a Resolução CNE/CEB nº 1/2026, citada pelo Centro de Referências em Educação Integral.

Como fizemos: Usamos o Censo Escolar 2025 (primeira etapa, de 26/02/2026, republicada pela Agência Brasil), a Agência Gov sobre o Ideb 2025 (06/08/2026), reportagens sobre as audiências do Senado de 26/05 e 18/08/2026 e a página do MEC, atualizada em 30/12/2025. Acessamos tudo em 22/10/2026. Os valores são os informados nas fontes, sem correção pela inflação, porque não comparamos anos em reais. Calculamos a diferença para 50% (24,2 pontos percentuais), a média de alta de 2021 a 2025 (10,7 pontos em quatro anos) e o ritmo necessário até 2036 (cerca de 2,2 pontos por ano, em 11 anos). Não conferimos o relatório completo do Inep, e não localizamos o total de matrículas criadas pelo programa.

Fontes