Flávio propõe tirar universidades do MEC; Lula mira tempo integral
Planos registrados no TSE divergem: Flávio propõe vouchers, cívico-militares e tirar universidades do MEC; Lula aposta em tempo integral.

Em 13 de agosto de 2026, o plano de governo de Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) foi divulgado com uma proposta para o ensino superior: tirar as universidades federais do Ministério da Educação (MEC). Pelo texto, a gestão delas iria para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), segundo o Portal Tela.
Cinco dias antes, em 8 de agosto, o Partido dos Trabalhadores (PT) registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o plano de Lula. O segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro.
Tempo integral e alfabetização aparecem nos dois planos
Hoje, o MEC cuida da educação básica, das universidades federais e dos institutos federais. Segundo a Folhapress, a reportagem não esclarece se os 39 institutos federais também sairiam do ministério.
Os dois planos falam em escola de tempo integral. Lula quer “priorizar a expansão da educação em tempo integral”, segundo o SBT News. Ele define a jornada ampliada como pelo menos sete horas diárias, com meta de ultrapassar 25,8% das matrículas, segundo a Agência Brasil. Flávio também cita tempo integral e a “Escola nas Férias”.
Na alfabetização, Lula quer elevar para 80% a proporção de crianças alfabetizadas na idade certa. Flávio prioriza o método fônico, que ensina a relação entre letras e sons. Segundo o plano, é o método “de melhor resultado comprovado pela ciência”.
Na creche, as propostas divergem. Flávio prevê um voucher: “Onde não houver vaga na rede pública, a família receberá um voucher-creche para acesso à rede privada credenciada”, segundo o SBT News. Lula cita creches com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), segundo resumo publicado pelo Plano de Governo 2026.
Vouchers, cívico-militares e universidades
Um voucher é um vale que a família usa para pagar uma vaga em escola particular. No plano de Flávio, o instrumento também vale para o ensino fundamental onde faltar vaga pública. A especialista Claudia Costin afirma: “Não existem evidências sólidas de que voucher funciona”, segundo o SBT News.
Flávio quer ampliar as escolas cívico-militares, que têm regras de disciplina e participação de militares. Segundo o plano, elas “uniram disciplina e bom desempenho onde foram implantadas”. Em 30 de julho, ele disse que, se eleito, vai retomar o programa, segundo o Estadão.
Lula tem outra visão. Em 2023, o governo acabou com o programa federal criado na gestão Jair Bolsonaro. Em abril de 2026, ao sancionar o novo Plano Nacional de Educação (PNE), disse: “Quando uma menina ou um menino resolverem seguir a sua carreira militar, eles vão se preparar militarmente.”
No ensino superior, o plano de Flávio prevê “transferir a governança” para o MCTI, segundo o SBT News. A justificativa é “unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto”, segundo o Portal Tela.
A presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Ana Beatriz de Oliveira, reitora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), disse: “Por enquanto, o MEC tem a garantia de um piso constitucional”. Esse piso é um mínimo de gasto em educação garantido pela Constituição. Ela aponta que o MCTI não tem essa garantia, segundo a Folhapress.
O plano de Lula defende a valorização docente e o financiamento das universidades federais, segundo o resumo do Plano de Governo 2026. No financiamento estudantil, Flávio propõe o Empréstimo Contingente à Renda. “O estudante só começa a pagar quando estiver empregado e ganhando”, segundo o SBT News.
Sobre o ensino domiciliar, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é citado como defensor do PL 1.338/22, projeto que trata do tema, segundo o Bahia Notícias. Um pedido de urgência para votá-lo não foi colocado em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na sessão de 7 de julho. Lula criticou o ensino domiciliar e o modelo cívico-militar em 28 de julho, segundo o Correio Braziliense.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro: O plano justifica a mudança com a ideia de “unificando ciência e ensino superior sob o mesmo teto”, segundo o Portal Tela. Na reportagem da Folhapress de 13 de outubro, a campanha não aparece com resposta sobre a proposta.
O que isso significa
Os dois planos concordam em tempo integral e alfabetização. Divergem sobre quem governa as universidades, sobre a creche e sobre o uso de vales em escolas particulares. Nenhum dos resumos consultados traz custo detalhado para essas medidas.
No lado fiscal, a economista Daniella Marques, responsável pela proposta econômica de Flávio, falou em corte de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 190 bilhões. Ela não detalhou quais despesas seriam atingidas, segundo a Gazeta do Povo.
Como fizemos: Reunimos o que os planos de governo registrados no TSE dizem sobre educação, a partir de reportagens que reproduzem seus trechos, porque os PDFs não abriram na consulta. Usamos SBT News, Agência Brasil, Portal Tela, Folhapress, Congresso em Foco, Gazeta do Povo, Estadão e Bahia Notícias, acessados em 23 de outubro de 2026. Não fizemos cálculo próprio. Não houve contato direto com as campanhas, e as citações do plano são as que as reportagens reproduzem.
Fontes
- Educação: o que Flávio propõe em plano de governo — SBT News (03/09/2026)
- Educação: veja propostas de presidenciáveis em 2026 — SBT News (03/09/2026)
- Flávio Bolsonaro propõe tirar universidades federais do MEC — Portal Tela (17/08/2026)
- Plano de Flávio prevê tirar universidades federais do MEC e divide reitores e especialistas — Folhapress, no SPDiário (13/10/2026)
- PT registra novo plano de governo de Lula no TSE — Congresso em Foco (08/08/2026)
- Flávio quer escolas militares; Lula propõe ampliar educação integral — Agência Brasil, no Acessa.com (15/10/2026)
- Plano de governo de Lula 2026 — o que propõe (acesso em 23/10/2026)
- Plano de governo de Flávio Bolsonaro — Plano de Governo 2026 (acesso em 23/10/2026)
- Daniella Marques diz que plano de Flávio Bolsonaro prevê corte de R$ 190 bi em gastos — Gazeta do Povo (03/08/2026)
- Flávio diz que retomará escolas cívico-militares — Estadão, em Tribuna do Sertão (30/07/2026)
- Lula diz que país não precisa de escola cívico-militar na educação — Folha de Pernambuco (14/04/2026)
- Lula defende fim do programa das escolas cívico-militares — IstoÉ Dinheiro (14/07/2023)
- Lula critica homeschooling e modelo cívico-militar na educação — Correio Braziliense (28/07/2026)
- Alcolumbre não vota pedido de urgência para homeschooling — Bahia Notícias (07/07/2026)
- Fachada do Ministério da Educação (MEC) — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 23/10/2026)



