Barroco mineiro: roteiro pelas obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde
De Ouro Preto a Congonhas, cidades históricas de Minas guardam igrejas, esculturas e pinturas do século 18; veja o que visitar e o que saber antes.

Em 1980, Ouro Preto se tornou o primeiro bem cultural brasileiro na Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Em 1985, foi a vez do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Os dois lugares formam o coração de um roteiro pelo barroco mineiro.
O barroco é o estilo que marcou as igrejas do Brasil colonial, com talha dourada, curvas e cenas de forte emoção. Em Minas Gerais, ele floresceu no século 18, com a riqueza do ouro. Ouro Preto, a antiga Vila Rica, foi capital de Minas até 1897, segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Os dois mestres
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em Vila Rica e morreu em 1814. A data de nascimento é discutida, e a mais citada é 1738. Ele foi escultor, entalhador e autor de projetos de igrejas. O apelido vem de uma doença que o atingiu na vida adulta.
Faltam documentos sobre parte de sua produção, e muitas obras foram ligadas a ele por semelhança de estilo. Por isso, os especialistas usam com frequência a expressão “atribuída a Aleijadinho”.
Manuel da Costa Ataíde nasceu em Mariana, em 1762, e morreu em 1830. É um dos pintores mais conhecidos do período em Minas. Sua obra mais famosa é a pintura do forro da nave da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. O projeto dessa igreja é atribuído a Aleijadinho, que também trabalhou nos púlpitos e no altar-mor.
O roteiro
Em Ouro Preto, a Igreja de São Francisco de Assis reúne os dois mestres num só lugar. Na mesma cidade, o Museu da Inconfidência, ligado ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), guarda acervo do período colonial. Mariana, terra natal de Ataíde, fica ao lado de Ouro Preto.
Em Congonhas, o adro do santuário reúne os 12 profetas esculpidos em pedra-sabão. Nas capelas dos Passos, ao longo da ladeira, 66 figuras de madeira encenam a Paixão de Cristo. Segundo publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Aleijadinho começou a trabalhar ali em 1796. Em 1805, profetas e figuras estavam prontos.
Em São João del-Rei, a Igreja de São Francisco de Assis também tem projeto atribuído a Aleijadinho. A vizinha Tiradentes guarda a Matriz de Santo Antônio, de talha dourada. Em Sabará, perto de Belo Horizonte, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo tem púlpitos e esculturas associados ao mestre.
Dicas práticas
Horários e ingressos variam de igreja para igreja, e muitas continuam em uso para missas. Antes de viajar, vale consultar as paróquias, os museus e as secretarias de turismo de cada cidade. Durante celebrações, a visita costuma ser restrita, e o silêncio é parte do respeito ao lugar.
O que diz a Unesco: Na descrição do santuário de Congonhas, a Unesco destaca a igreja de interior rococó, a escadaria com os profetas e as capelas da Via-Sacra. Para a organização, as esculturas de Aleijadinho são obras-primas.
O roteiro pode ser feito em poucos dias, mas cada cidade pede tempo. Mais do que cenário, essas igrejas são documentos de uma época. Nelas, a fé, o ouro e o talento de artistas formados na própria colônia deixaram marcas que o Brasil ainda aprende a ler.
Fontes
- Historic Town of Ouro Preto — Unesco World Heritage Centre
- Sanctuary of Bom Jesus do Congonhas — Unesco World Heritage Centre
- Patrimônios da humanidade em Minas Gerais — Espaço do Conhecimento UFMG
- Congonhas, Minas Gerais (Coleção de Monografias Municipais) — IBGE
- Sôbre o Aleijadinho — Revista de História, USP
- Manoel da Costa Athaíde: vida e obra documentada no ambiente artístico de Minas Gerais, 1762 a 1830 — Repositório UFMG
- Museu da Inconfidência — Ibram


