Quaresma, Ramadã e Yom Kipur: como cada religião pratica o jejum
Católicos, ortodoxos, muçulmanos e judeus jejuam em datas e com regras diferentes; as próprias tradições preveem exceções para quem tem a saúde em risco.

No pôr do sol de 20 de setembro de 2026, judeus do mundo todo começaram o jejum do Yom Kipur, o Dia do Perdão. Foram cerca de 25 horas sem comer nem beber, até o anoitecer do dia 21. O jejum também marca o calendário de cristãos e muçulmanos no Brasil, cada um com regras próprias.
Para quem convive com pessoas de outras crenças, entender essas práticas evita gafes e ajuda a respeitar a fé alheia. Veja como funciona cada tradição.
Católicos: Quaresma e sextas-feiras
Na Igreja Católica, as regras estão no Código de Direito Canônico, a lei interna da Igreja. Segundo o cânon 1250, os tempos de penitência são todas as sextas-feiras do ano e a Quaresma, período de preparação para a Páscoa. Pelo cânon 1251, há jejum e abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.
A abstinência de carne vale a partir dos 14 anos completos. O jejum obriga os maiores de 18 anos até o início dos 60. O cânon 1253 permite que cada conferência de bispos detalhe as regras e troque parte delas por caridade e oração. Já o cânon 1245 autoriza o pároco a dispensar um fiel, por causa justa. Em 2026, a Quarta-feira de Cinzas caiu em 18 de fevereiro.
Ortodoxos: a Grande Quaresma
As Igrejas ortodoxas também têm uma Grande Quaresma antes da Páscoa, com restrições mais amplas. Segundo a Igreja Ortodoxa na América, não se come carne depois do chamado Domingo da Carne. Depois do Domingo do Queijo, saem também ovos e laticínios. A mesma igreja ensina que cada fiel deve fazer o possível diante desse ideal.
Muçulmanos: o Ramadã
No Islã, o jejum do Ramadã é um dos cinco pilares da fé. Durante um mês, o fiel não come nem bebe do amanhecer ao pôr do sol. O calendário islâmico segue a Lua. Por isso, o Ramadã começa cerca de 11 dias mais cedo a cada ano. Em 2026, ele começou em fevereiro, quase junto com a Quaresma cristã.
O Alcorão, livro sagrado do Islã, prevê exceções. Segundo o versículo 184 da segunda surata, quem estiver doente ou em viagem pode compensar depois o mesmo número de dias.
Judeus: o Yom Kipur
O Yom Kipur cai no dia 10 do mês de Tishrei, no calendário judaico. É um dia de oração e arrependimento, passado em boa parte na sinagoga. O jejum começa ao pôr do sol da véspera e termina ao anoitecer do dia seguinte. Crianças pequenas não jejuam. Pela tradição judaica, preservar a vida vem antes do jejum, e quem corre risco de saúde deve comer.
Saúde em primeiro lugar
As tradições citadas preveem exceções, mas a decisão também passa pelo médico. Pessoas com diabetes, grávidas e quem usa remédios em horários fixos devem conversar com a equipe de saúde antes de jejuar. Segundo a Mayo Clinic, quem tem doença crônica bem controlada pode jejuar com segurança, desde que planeje com o médico. Às vezes, é preciso mudar o horário dos remédios.
O que diz o Código de Direito Canônico: Pelo cânon 1252, o jejum vale para “todos os maiores de idade até terem começado os sessenta anos”. A abstinência de carne obriga quem completou 14 anos.
Conhecer esses calendários ajuda escolas, empresas e famílias a planejar encontros. Um almoço de confraternização, por exemplo, pode excluir um colega em dia de jejum. Em 2027, a Quarta-feira de Cinzas cai em 10 de fevereiro. O próximo Ramadã deve começar no início de fevereiro, a depender da observação da Lua.


